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Governança em Metrópoles: O Rio de Janeiro e uma Transição Possível para Redes Distribuídas

Este texto propõe uma pequena análise ensaística ou de opinião sobre a crise institucional enfrentada por metrópoles contemporâneas, com especial atenção ao caso do Rio de Janeiro. A partir das discussões em aula realizada no curso A inteligência do espaço-tempo e o stress global e da teoria desenvolvida por Robin Dunbar que fora citada, sugere-se aqui uma pequena reflexão acerca dos limites cognitivos e organizacionais que moldam a governança urbana. Ainda que não se trate de um modelo absoluto, a teoria de Dunbar oferece um ponto de partida relevante para pensarmos os desafios atuais de gestão em cidades de grande porte.

Robin Dunbar, antropólogo britânico, propôs que existe um número máximo de relações sociais estáveis que um indivíduo é capaz de manter é de aproximadamente 150 pessoas. Conhecido como “número de Dunbar”, esse limite marca o ponto em que formas de organização social baseadas apenas em vínculos informais e confiança direta tornam-se inviáveis. A partir desse ponto, a complexidade social crescente demandaria a construção de instituições formais para manter a coesão e a funcionalidade do grupo. Mesmo que não tomemos esse número como exato, ele nos permite levantar uma questão fundamental: todo sistema organizacional possui um limiar a partir do qual precisa se tornar mais sofisticado para manter sua capacidade de governança.

Assim, podemos sugerir que tais instituições formais atualmente conhecidas por nós também enfrentam limites operacionais. Diversos estudiosos apontam que, em populações acima de 1 a 10 milhões de habitantes, os custos de manutenção institucional tendem a superar os benefícios, gerando ineficiência, sobrecarga burocrática e vulnerabilidades estruturais. Nesse ponto, os sistemas entram em risco de disfunção, colapso ou rupturas sistêmicas.

Essa problemática se torna plausível no contexto do Rio de Janeiro. Com uma região metropolitana que ultrapassa os 13 milhões de habitantes, a cidade opera em um grau de complexidade que supera a capacidade adaptativa de suas instituições centralizadas, construídas sob lógicas administrativas do século XX. A excessiva centralização do poder decisório, aliada à fragmentação territorial, à assimetria de informações e à lentidão das respostas institucionais, compromete a eficácia das políticas públicas e alimenta uma crise permanente de governança.

Nas periferias urbanas, como favelas e comunidades autogeridas, observa-se a formação de sistemas sociais quase autônomos, ou dominados por outras estruturas de poder, muitas vezes desconectados ou mesmo em confronto com os canais formais de poder consituído. Esses territórios, diante da ausência do Estado ou de sua atuação precária, tornam-se espaços disputados por múltiplos atores, legais ou não, que passam a exercer formas locais de governança mais ágeis e eficientes em seu escopo limitado. A perda gradual de controle institucional sobre o território fluminense reflete, assim, tanto a falência administrativa, como um descompasso entre o desenho das instituições e a complexidade do tecido social contemporâneo.

Redes distribuídas como alternativa estrutural

A ciência dos sistemas complexos nos oferece uma alternativa teórica e prática a esse modelo centralizado. Inspirada em estruturas biológicas e tecnológicas informacionais, ela propõe a reorganização da governança em redes distribuídas, sistemas com múltiplos centros de decisão, autônomos, interconectados por fluxos contínuos de informação e orientados por protocolos colaborativos.

Essa proposta poderia ser sintetizada em três linhas (a princípio):

  1. Descentralização inteligente: por meio da criação de núcleos decisórios com autonomia territorial, como subprefeituras, associações locais e redes comunitárias. Esses núcleos seriam capazes de deliberar sobre questões específicas de seu território, comunicando suas decisões ao sistema mais amplo, sem a necessidade de submissão hierárquica. A descentralização, neste modelo, não implicaria a atual fragmentação vigente, mas uma reconfiguração organizativa a partir das redes.
  2. Inteligência coletiva: com o uso de plataformas digitais participativas para elaboração, monitoramento e fiscalização de políticas públicas. Esses espaços virtuais podem funcionar como canais de escuta contínua e construção colaborativa, onde a população contribui de maneira orgânica e descentralizada. A tecnologia atual já nos permite sistematizar essas contribuições de forma eficiente, acelerando os processos pré-deliberativos e fortalecendo a legitimidade popular das decisões.
  3. Adaptação em tempo real: a partir da incorporação de dados urbanos, sensores, algoritmos e inteligência artificial, é possível monitorar dinâmicas territoriais e redistribuir recursos públicos de forma responsiva e eficaz, acompanhando as variações reais da demanda nos diferentes bairros e regiões da metrópole. Um exemplo simples: uma mesma linha de ônibus poderia traçar uma rota diferente em determinados períodos como: dia e madrugada, em função do levantamento de demanda.

No caso do Rio de Janeiro, a adoção de um modelo de rede distribuída implicaria na reconversão de suas instituições executivas: elas deixariam de ser instâncias de comando centralizado tradicionais e passariam a funcionar como plataformas de articulação entre diferentes territórios. A administração pública atuaria como orquestradora de uma malha de redes locais, reconhecendo, fortalecendo e conectando as capacidades já existentes nas bases comunitárias. Iniciativas que hoje são tratadas como exceções ou soluções paliativas ou vozes retificadoras das políticas pensadas pelos poderes constituídos, como associações de moradores, mutirões urbanos e coletivos culturais, passariam a integrar a estrutura legítima de governança metropolitana como verdadeiras construtoras das políticas estruturantes da cidade.

O Rio de Janeiro encontra-se em um ponto crítico de inflexão. A insistência em modelos centralizados diante da complexidade crescente da metrópole não apenas limita a eficácia administrativa, como também representa uma ameaça à própria coesão urbana, cada vez mais frágil e tensionada pelos inúmeros poderes paralelos que conformam nosso território. A transição para uma governança distribuída, orientada pelos princípios da ciência dos sistemas complexos pode ser uma boa alternativa de saída. Ela oferece uma oportunidade para ressignificar o papel do Estado, potencializar o protagonismo cidadão e construir uma cidade mais adaptativa e democrática.

Pollock
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Ciberassentamentos: Como Enfrentar o Domínio das GAFAM

vale do silicio flerta com trump leia em:https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2025/01/vale-do-silicio-flerta-com-trump.shtml

O Paradoxo GAFAM

As manifestações de apoio de lideranças do Vale do Silício ao governo Trump reacendem questões pertinentes: como as corporações digitais moldam o comportamento humano e restringem a liberdade social? E, mais importante, como nos instrumentalizar para enfrentar esse poder?

Vivemos em um mundo onde o poder digital não opera como uma estrutura hierárquica simples. Google, Amazon, Facebook (Meta), Apple e Microsoft (GAFAM), para além de controlar fluxos globais de informação, operam redes complexas que mercantilizam desejos e fetiches humanos. Embora suas plataformas permitam a comunicação coletiva, essas redes, alinhadas com a ideologia vigente, incentivam a busca incessante pela construção de indivíduos, enquanto marginalizam as relações de comunicação coletiva, compartilhamento de informações úteis, dados e articulação social. 

As GAFAM criam territórios digitais, controlam protocolos, algoritmos intencionalmente opacos ao usuário comum e fluxos de dados, regulando assim o comportamento da sociedade no espaço digital. Esse modelo gera um paradoxo: embora se baseiam em redes distribuídas, as decisões de controle permanecem centralizadas em poucas corporações.

Isso impede a definição de um eixo central para protestos e boicotes contra as empresas. O poder dessas redes é fluido, ajustando-se rapidamente às tensões e capturando a subjetividade dos usuários, que, ao criar conteúdo, alimentam o sistema que os transforma em produtos. 

Diante dessa conjuntura, a resistência deve ser tão fluida e híbrida quanto o próprio sistema dominante.

A resistência às GAFAM deve transcender o digital, articulando-se com movimentos territoriais reais. Ferramentas descentralizadas, como Mastodon e Peertube, oferecem alternativas interessantes, transparentes e autônomas, conectando demandas locais e globais em uma rede híbrida de colaboração.

As redes sociais hegemônicas criam “vidas condominiais”, limitando a liberdade e autonomia dos usuários. Para escapar desse cerco, é necessário fomentar o uso de plataformas descentralizadas sem abandonar completamente as grandes plataformas. Compreender os protocolos de cada rede ajuda a desenhar estratégias eficazes de uso. Sistemas como Matrix, Discord e IPFS, tecnologia peer-to-peer pode nos ajudar a criar um ecossistema organizativo alternativo. Assim como as comunidades locais organizam encontros e mutirões, essas plataformas podem servir como espaços para a troca de saberes e para a coordenação de ações territoriais e globais.

Hackear os Protocolos por Dentro é preciso!

Uma resistência ao GAFAM pede que subvertamos seus protocolos internos. Em vez de lutar apenas por regulamentações mais restritivas, é necessário exigir por exemplo interoperacionalidade entre plataformas. Permitir que os usuários possam transitar entre redes sem perder contatos, rastreabilidade e histórico de dados.

Explorar brechas nos algoritmos também nos é crucial para redistribuir a recepção de conteúdos e amplificar vozes independentes. No entanto, uma falha nossa comum é tratar as redes como canais panfletários, ignorando elementos que favorecem engajamentos orgânicos, como debates, opiniões pessoais e interações dinâmicas. Campanhas não podem ser reduzidas a mero compartilhamento em massa de uma postagem. Isso funcionava no tempo dos panfletos, porém na geografia das redes, precisamos criar um ecossistema plural das mensagens que queremos transmitir.

Movimentos locais, como organizações de trabalhadores digitais e coletivos de criadores de conteúdo, podem formar redes de educação e mobilização. Por meio de ações coordenadas, como boicotes globais a plataformas específicas ou campanhas para desmascarar práticas oligopolistas, é possível criar um impacto significativo. Imagine, por exemplo, um protesto digital iniciado no Brasil que articule greves trabalhistas no México: com conexões corretas, isso se torna uma possibilidade concreta.

Embora as redes sociais tradicionais continuem hegemônicas, é possível usá-las estrategicamente para impulsionar movimentos. Ações interplataforma, com o uso de canais seguros para organização, articulação e comunicação, podem germinar movimentos virais que desviem a atenção de algoritmos dominantes, exponham as contradições e furem brechas das redes.

A exploração de redes distribuídas permite construir resistência que não depende de lideranças centralizadas. Conectar plataformas independentes para produzir ações coordenadas, transformar pequenos grupos em coletivos de inovação social e dar visibilidade às consequências sociais, econômicas e políticas dessas ações são passos importantes.

Futuros da Resistência: do Ciberassentamento ao Cibersindicalismo

Resistir ao domínio das GAFAM exige uma abordagem que combine esforços locais e globais em uma rede de redes, construindo múltiplas camadas de ação. Um cibermovimento ou cibersindicalismo ofereceria um caminho para disputar o espaço das tecnologias digitais e enfrentar o furto de nossa produção de vida, esse trabalho que desempenhamos para as redes em troca de dependência e vício. Essa prática organizativa une o melhor do virtual e do real, resgatando a utopia das plataformas livres e suportes comunitários que marcaram o início da internet.

A experiência histórica de movimentos como o MST, os zapatistas, comunidades indígenas andinas ensina que a luta por territórios não se limita à terra física, mas inclui a construção de redes de solidariedade, a ocupação simbólica e a criação de formas autônomas de organização. Esses movimentos demonstram como a interconexão de coletividades pode superar fronteiras geográficas, articulando resistências locais em um plano global. Articular formas operacionais de organização que se inspirem nestes modelos, com suas devidas proporções, nos permite pensar em ocupar os territórios virtuais controlados pelas GAFAM, e de forma descentralizada, utilizar as ferramentas tecnológicas para criar espaços de autonomia e troca.

Podemos propor um território sem fronteiras, território-movimento, mobilizado pelas práticas colaborativas, conectando a luta física com a virtual em uma lógica de constante dinâmica. O futuro da resistência estaria assim na construção deste “ciberassentamento”, onde a autonomia e a criação se desenvolvem de forma descentralizada e conectada. Hackear as brechas e limites das redes, por sua vez, será um exercício constante das lutas, mas absolutamente necessário para exercer nosso potencial de transformação social.

cena da colher: filme Matrix.

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Fome Global: Território, Violência e Redes

A Fome Global: Crises, Violência e Redes

Quem vivenciou Conjuntos Habitacionais sabe que uma regra é clara. Mesmo que você odiasse sua vizinha, você não recusava emprestar um pouco de arroz. As redes de solidariedade dos pobres formam um caráter para além de uma relação moral. Partilhamos para sobreviver. 

Uma das mais graves crises humanitárias contemporâneas é a fome global. Em 2021, estimou-se que cerca de 800 milhões de pessoas enfrentaram a fome, enquanto mais de 3 bilhões não tiveram acesso a dietas minimamente saudáveis. Esses números refletem uma desigualdade social brutal, agravada pela pandemia de COVID-19 e pelo avanço de políticas antiquadas, que impactaram profundamente os sistemas de distribuição alimentar. No Brasil e em outros países periféricos, a crise sanitária escancarou essas desigualdades e tensionou ainda mais o retorno do país ao mapa da fome.

Um Cenário Complexo

Resolver a crise da fome não parece ser tão simples. As mudanças climáticas, extremamente intensificadas pelas práticas agro-predatórias,  comprometem a produção do campo. O agronegócio, além de explorador, financeiriza a cultura alimentar, eleva os preços e reduz a acessibilidade. Para além da exploração dos biomas, há também uma crise distributiva: mesmo onde há comida, a desigualdade impede que ela chegue a quem tem fome. Transforma-se alimento em alternativa de lucro, mercantilizando-o e criando um impedimento significativo na equidade e direito alimentar.

Somado a isso, destaco também que, os conflitos armados (em suas muitas formas) desempenham um papel significativo no aumento da fome. Países como Sudão, Nigéria e Somália são exemplos onde a guerra destroi infraestruturas agrícolas, recursos hídricos e cadeias logísticas de suprimento. Sudão, por exemplo, representa o terceiro maior exportador de cana de açúcar do mundo, demonstrando claramente que a relação entre território e fome não é mais complexa do que nos parece. Esses conflitos, além do acima citado, também forçam deslocamentos populacionais, agravando ainda mais a crise humanitária.

Vale ressaltar aqui que: Em muitos territórios de conflito, a fome é usada como arma de guerra, destruindo povos inteiros, que atuam de maneira direta ou indireta nos combates, Um exemplo do modus operandi é a prática de bloqueio de ajuda humanitária, como apresentado pelo relatório do Conselho Norueguês para Refugiados, indicando o bloqueio – por Israel – da entrada de 83% da ajuda alimentar necessária à população de Gaza em 2024.

A violência urbana, comum no Brasil, também afeta esta lógica da fome. Indivíduos que assimilam sua vizinhança como violenta e pobre têm maior probabilidade de enfrentar insegurança alimentar. A violência urbana, em suas muitas formas, limita o acesso a serviços essenciais, oportunidades econômicas e, em casos extremos, resulta em deslocamentos internos e desestruturação de comunidades inteiras. Esta instabilidade afeta diretamente a produção e distribuição de alimentos. Qual o papel do urbanista em relação a isso? Aqui lembro que Sassen aponta a crise sistêmica e nos traz como elemento pertinente o novo mercado global de terras.

No âmbito do território, o impacto do novo mercado global de terras organiza a precariedade social.  A concentração para monoculturas voltadas à exportação reduz a disponibilidade de alimentos básicos no mercado interno e eleva preços, agravando a insegurança alimentar. Além disso, a exclusão de pequenos agricultores para a indústria do agrobusiness contribui para o constante êxodo rural, forçando ainda mais o crescimento das periferias urbanas. Nessas, diante da falta de emprego e infraestrutura adequada, resta aos pobres se inserir nas economias informais ou se vulnerabilizam diante de uma estrutura de mercado de violência urbana, criando um ciclo de precarização social que conecta diretamente a gestão desigual da terra, seja ela urbana ou rural.

No Brasil, em especial no Rio de Janeiro, a violência armada é parte deste sistema de controle territorial complexo. As políticas de segurança pública frequentemente operam como estratégias de controle territorial, com incursões violentas em favelas e comunidades periféricas que, além de afetarem diretamente a vida dos moradores, desorganizam atividades econômicas locais, como o comércio de alimentos e pequenos negócios, criando um ciclo de precariedade que conecta a violência urbana ao agravamento da insegurança alimentar. As operações também influenciam o mercado especulativo de terras urbanas, ao redesenhar o valor e o uso dos territórios urbanos em função do medo. 

A violência no campo no Brasil é diretamente associada à luta por terras e à concentração fundiária, impactando diretamente a produção de alimentos. Grilagem, ameaças e assassinatos de líderes comunitários são práticas corriqueiras de um Brasil que queremos esconder. Conflitos entre grandes latifundiários, pequenos agricultores e comunidades tradicionais, frequentemente mediados por ações violentas, resultam no deslocamento massivo de famílias, no abandono de terras produtivas e na redução da produção de alimentos destinados ao consumo interno.

A violência no campo também está ligada ao mercado especulativo de terras, onde conflitos são muitas vezes alimentados pela valorização de grandes extensões de terra como ativos financeiros. Além disso, projetos de infraestrutura, como hidrelétricas e estradas, impulsionam a valorização das terras, resultando na expulsão de comunidades locais em favor da especulação, concentrando ainda mais a posse e propriedade de terras nas mãos de poucos. Exemplos cotidianos incluem a expulsão de trabalhadores rurais para dar lugar a monoculturas voltadas à exportação, como soja e cana-de-açúcar, o que reduz a diversidade agrícola e contribui para a elevação dos preços dos alimentos básicos nas cidades, agravando a crise alimentar nacional.

Um projeto concreto de segurança pública precisaria partir de uma lógica mais complexa. Reduzir a relação ostensiva, comprovadamente inócua e elaborar um programa centrado na Segurança ambiental, Sanitária e de Saúde Coletiva, associada a equidade territorial. Assim, ponderamos a importância de planejar um sistema inteligente de segurança pública a partir destes pilares, de modo que tratemos a segurança como uma extensão do direito à vida e não da guerra.

Políticas Necessárias

Apesar de ser um texto de caráter mais opinativo, fica perceptível, sem muita análise academica profunda, que enfrentar a fome global exige mais do que simplesmente distribuir alimentos: é necessário reduzir a violência armada e tratar as causas estruturais da fome, como a concentração desigual da terra. No Brasil, políticas que promovam um futuro para territórios pobres são essenciais. Um povo com fome se torna um povo vulnerável à barbárie.

Um exemplo a se pensar, seria a criação de uma Política Global de Justiça Alimentar, estruturada de maneira supranacional, dividida em quatro níveis articulados em rede: global, regional, nacional e local.

  • Global: Coordenando a criação de diretrizes internacionais, tratados e políticas globais de eliminação da fome, implementação de um fundo financeiro de auxílio, alimentado por nações desenvolvidas e corporações. Criando também um tribunal internacional para julgar crimes de guerra relacionados à fome
  • Regional: Blocos econômicos como o BRICS, MercoSul, União Europeia podem coordenar reservas regionais de alimentos e promover políticas integradas de distribuição destes produtos. Garantimos assim, por ação política, melhor acesso a alimento aos mais pobres dos países que pertencerem ao acordo regional. 
  • Nacional: Políticas de redistribuição de terras e incentivo à agricultura familiar. Organização da logística nacional de distribuição de alimentos. Elaboração de um programa de Pesquisa e Desenvolvimento capaz de melhorar tecnologias, voltados especialmente para práticas de agrofloresta e agricultura familiar.
  • Local: Organizar Cooperativas agroalimentares, bancos de sementes e programas de educação alimentar. Estruturar instituições públicas para garantir que o alimento chegue na base da sociedade: entre elas, fortalecer o projeto alimentar e cumprir todas as refeições dentro das escolas de ensino básico e médio, por exemplo.

Sabemos que implementar um sistema como esse não seria fácil. Corporações do agronegócio e do mercado internacional de terras provavelmente resistiriam, e países dependentes de atividades agro-predatórias talvez se opusessem a regulações redistributivas. Além disso, haveria também resistências burocráticas de organismos internacionais na construção de âmbitos políticos, e em nível local, comunidades poderiam interpretar iniciativas globais como interferência em sua autonomia.

Mesmo assim, a governança organizada em rede se mostra potente e promissora. Por meio de blockchain e ferramentas de georreferenciamento, seria possível por exemplo, monitorar os fluxos alimentares e identificar áreas críticas, promovendo soluções rápidas e sustentáveis.  As tecnologias de IA e digital twins oferecem soluções que podem colaborar na organização logística de distribuição alimentar em contextos de vulnerabilidade social. Podem prever padrões de demandas com base em variáveis socioeconômicas e dados, otimizando rotas de entregas, reduzindo desperdícios e custos operacionais. Criar simulações de fluxo e testar alternativas em tempo real. Com machine learning, podemos mapear regiões prioritárias e garantir a distribuição com eficiência econômica, transparência e velocidade.

Se garantirmos os resultados abertos e utilizarmos uma rede peer to peer, podemos proporcionar menor burocracia e maior autonomia das comunidades locais que seriam atendidas, descentralizando e garantindo o compartilhamento direto dos dados para as organizações locais e movimentos sociais de combate a fome, eliminando a necessidade de uma cadeia de intermediários e burocracias.  Com acesso a essas tecnologias, as redes solidárias podem se expandir.

Enfrentar a fome é uma questão de justiça social e sobrevivência planetária. Uma abordagem integrada, baseada na colaboração global e local, é essencial para superar a crise alimentar. Mais do que alimentar corpos, precisamos nutrir sistemas que promovam dignidade e equilíbrio ambiental. O caminho é complexo, mas não é inalcançável e exigirá articulação dos precarizados. A pergunta: estamos prontos para redesenhar o mundo ou morreremos de fome?

foto de autoria desconhecida
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Do Trump ao Bolsonaro: Política de Medo e a Ascenção da Era da Inteligência Artificial

A política é um campo das paixões, cujos afetos se constroem, em grande parte, pela linguagem. Seria leviano da minha parte fazer conjecturas definitivas sobre o possível retorno de Trump ao poder. Não falaria em “renascimento”, pois nunca o considerei, digamos, “morto”. O grupo político global ao qual Trump pertence – e é referência – permanece organizado e atuante no sistema contemporâneo. Demonstrando total capacidade de se manter firme em uma rede global.

Embora as redes sociais (muitas vezes taxadas como vilãs) valorizem a polarização e a autorreferência numa busca insólita por reconhecimento individual, não creio que isso explique, por si só, o fracasso do progressismo. Até porque existem redes que não operam nessa lógica, como o Discord, Mastodon, Couchsurfing, Goodreads entre outras. Também considero um exagero atribuir o fenômeno do trumpismo a um conjunto de erros do lado progressista, como se estivéssemos falando de eleições de duas décadas atrás. Prefiro encarar a dura e possível verdade: a pauta de Trump encontra eco nos corações de pessoas muito diversas, em diferentes partes do mundo. Além disso, esses grupos encontraram e aperfeiçoaram as ferramentas de linguagem e comunicação para alcançar esse impacto.

Hoje, em meio a uma mistura de insegurança econômica, mudanças culturais e medo da perda de identidade nacional em um mundo cada vez mais globalizado, abre-se espaço para uma busca desesperada por soluções rápidas e simplistas. É como se quiséssemos frear a Terra para encontrar algum eixo onde possamos ancorá-la.

A retórica de líderes extremistas ou populistas explora o desajuste em relação ao projeto de poder vigente, vendendo esse porto seguro. O modelo de poder articulado em organizações de representação (partidos, instituições, movimentos sociais, raciais, de gênero etc.) parece esbarrar em uma limitação: seu funcionamento exige a criação de uma máscara standard de imagem, capaz de gerar dados para políticas públicas com algum alcance expressivo. Contudo, a padronização, em uma sociedade tão complexa como a nossa, torna-se inviável atualmente. As ações afirmativas, por exemplo, atingem um teto estrutural: jovens cotistas, formados, que não encontram empregos dignos e precisam se lançar no empreendedorismo de sobrevivência, acabam esbarrando nos mitos do “self-made man”, encontrando ali algum tipo de referência para suas vidas.

Diante de um progressismo que não garante a completude da segurança psicológica e encontra limitações, o trumpismo, putinismo assim como o bolsonarismo no Brasil, trazem uma receita fácil para tempos de medo. Sugerem um inimigo comum – mesmo que mal definido –, seguido de um desejo coletivo: unir a nação, sermos “um só povo”, buscar a “grandeza”. Esse desejo, porém, carece de consistência prática, e aí paramos, pois não há soluções, apenas a retórica e a guerra para manter o inimigo comum vivaz nos corações apaixonados por um líder caricato.

Sugiro aqui, o retorno à linguagem como tema. “Palavras têm poder”, já dizia o profeta… ou talvez tenha sido minha avó, durante a infância. Uma das grandes viradas de chave em 68 foi a percepção das mudanças sociais: onde estavam os desencaixados no mundo polarizado pela guerra fria? Os desajustados? Essa discussão, sei, já está batida, porém ainda não solucionada. Somada a ela reside minha nova preocupação: os avanços da inteligência artificial podem concentrar ainda mais o poder político e econômico nas mãos de um pequeno grupo de pessoas ou corporações que controlam os dados e a tecnologia.

O paradigma da IA traz uma transformação radical na forma de acumulação de poder e exploração do capital, em contraste com o modelo de produção industrial. Antes, o capital dependia diretamente da força de trabalho humano; agora, a IA reduz essa dependência ao automatizar tarefas e dispensar a intervenção humana em diversas etapas produtivas. Grandes corporações e governos acumulam esses recursos, monopolizando os meios de produção e elevando a concentração de riqueza a níveis jamais vistos.

Essa mudança aprofunda o controle social e psicológico, com algoritmos que monitoram e manipulam preferências, criando uma nova “mais-valia comportamental”. A IA explora desejos e comportamentos de consumo, ampliando o lucro de forma indireta ao influenciar escolhas e subjetividades. O mercado de trabalho também sofre um impacto estrutural: o desemprego cresce com a substituição de trabalhadores por automação, e os empregos restantes tendem a ser mais precarizados, sem os direitos e o poder de organização típicos da era industrial. E a sobrevivência, o empreendedorismo real, torna-se a fusão completa de vida-trabalho-consumo, onde o made-yourself é a auto exploração e objetificação de si mesmo. Resta a humanidade que vive da sua força de trabalho, se auto vender enquanto objeto, retroalimentando as grandes plataformas que geram lucro. Seu novo trabalho nesta indústria é ser o próprio produto final vendido por ela.

Resistir às práticas exploratórias torna-se cada vez mais difícil.

Com a dissociação entre valor e trabalho, o paradigma da IA rompe o ciclo de reprodução do capital como o entendemos. A acumulação de riqueza continua sem a necessidade de redistribuir valor por meio de salários, uma vez que o capital pode ser reproduzido por máquinas e algoritmos. O capital, assim, torna-se menos dependente do trabalho humano, o que amplia as desigualdades e centraliza ainda mais o poder sobre a vida social e política. A IA impõe um desequilíbrio profundo ao sistema capitalista, redefinindo as bases da exploração e o papel da força de trabalho na sociedade.

Estamos diante de uma luta algorítmica que passa pela linguagem. Não é sensato pensar que a interface da IA ou das redes sociais seja um mero processo de manipulação; acredito que o maior desafio é perceber que elas criam camadas de existência relacional. Interfaces, mundos dentro de mundos. São novos territórios que se sobrepõem e se aproveitam do fato de que o espaço virtual, diferente do real, é infinitamente expansível em dimensões possíveis.

Hoje, as redes sociais permitem que os desencontrados e descontentes encontrem seus pares para dialogar e se organizar. Um jovem imigrante palestino, por exemplo, que não se sente representado pelas políticas de guerra do partido democrata, pode buscar apoio online. Mesmo que esse partido financie a guerra de Israel, ele acaba escolhendo Trump – alguém que, ironicamente, poderia deportá-lo para o centro do conflito, sem frear as ações israelenses. No entanto, em um futuro próximo, a IA poderá ir além: ela será capaz de criar personas virtuais que simulam uma presença real nesses debates.

Conclusão

Diante de um mundo repleto de inseguranças de futuro, surge um processo extremamente concentrador. A evolução de uma mais-valia comportamental, que já era prenunciada pela turma de maio de 68, capturada pelas redes algorítmicas trazem à tona um controle constante e  sutil sobre a exploração da vida. Ampliando o controle psicológico por meio de tecnologias cada vez mais intrusivas.

A ameaça iminente é de um aumento das desigualdades estruturais e da concentração de poder nas mãos de corporações e elites políticas, tendo a IA como ocorrência desse processo. Ao redefinir as bases do trabalho e da acumulação, estamos testemunhando um desequilíbrio que pode alterar de forma irreversível a sociedade, reforçando uma natureza paradoxal do progresso tecnológico.

Precisamos retomar a linguagem como pauta e construir a premissa ética sobre a automatização do mundo e o controle algorítmico, enquanto os avanços estão acontecendo. Este novo controle da linguagem nos permitirá organizar minimamente um futuro de segurança no tecido social e econômico da Terra.

Nestas semanas onde o Rio prepara-se para receber o G20 cabe a nós ter este tipo de debate na pauta. A democratização do kernel, a abertura dos códigos e a disputa urgente do direito a esta nova linguagem.

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Caminhos para Sobrevivência e a Urgência de uma Revolução Ambiental

Vivemos a intensidade de um novo mundo que se desenha entre tragédias. Este momento nos empurra para a borda de um novo modelo de vida, potencialmente transformador. Pela primeira vez, enfrentamos crises que atravessam a geografia desigual do planeta; o que antes parecia ficção, agora arrasta o coletivo.

A pandemia foi o primeiro grande alerta: um sinal de que as políticas públicas precisam superar fronteiras para alcançar essa nova esfera de interdependência. Em um passado recente, o pensamento progressista abandonou as disputas classistas e centrou-se na inclusão, na equidade, na justiça social, buscando a inserção democrática dentro do capitalismo. Hoje, porém, é inevitável incorporar à pauta uma dimensão ampliada que recupere o centro da discussão da produção e da desigualdade e inclua a crise ecológica – é na racionalidade sobre produção e consumo que repousa a sustentabilidade social, vital para a vida na Terra.

Sem essa dimensão, o sistema revela-se um organismo exausto. As enchentes em Valência são um retrato disso: a vasta extensão de terra tomada pelas águas grita uma realidade incontestável – não estamos prontos para os desastres naturais da era da superexploração. E no sul do Brasil, as chuvas caem sem distinguir no território, o recorte de classe. Desaba sobre todos, ainda que os mais ricos encontrem alguma proteção. Mas todos, sem exceção, sentem algum peso da tragédia.

Viver numa sociedade focada em mitigação e inclusão não resolveu o cerne da questão: o próprio modo de produção e reprodução do sistema está desalinhado com a capacidade de equilíbrio do planeta. A intensidade dos efeitos naturais sobre a vida humana exige uma ruptura, uma pausa que permita recomeçar – algo que soa utópico, até mesmo na literatura.

Contudo, é preciso lembrar: as tragédias globais apontam para a urgência de um modelo transformador. Crises são janelas para redesenhar o presente. A justiça climática poderia ser a base de um novo modelo, onde o poder econômico serve à sustentabilidade e à inclusão, rompendo o ciclo de exploração que multiplica as tragédias sociais e ambientais.

A pandemia nos deixou um eco profundo da fragilidade global e demonstrou a imensa necessidade da interdependência entre políticas públicas, saúde e sustentabilidade. O caminho aponta para a busca de sistemas de saúde integrados e políticas que criem uma “saúde planetária”, capaz de prever e mitigar futuras pandemias, reconhecendo o laço estreito entre degradação ambiental e zoonoses. Esse novo olhar sobre a vida – sistêmico, ecológico, preventivo – surge como urgência.

Asimov nos lançou um interessante paradoxo sobre tecnologia: “O fogo é perigoso a princípio, assim como a fala (…) mas os humanos não seriam humanos sem eles.” A tecnologia é parte do que nos define, ao mesmo tempo nos desafia. Em vez de apagá-la, devemos redirecioná-la, fazê-la pulsar por metas coletivas e planetárias, onde “techné” recupere seu sentido grego de habilidade útil, arte, equilibrada com a razão. Assim, não é a inovação tecnológica em si o problema, mas a ética que a rege.

Poderíamos então nos dedicar a outra ciência, uma ciência do ofício, do sensível e do toque ancestral. Em um mundo que se despedaça, recuperar o manejo sustentável da terra e dos biomas é inovador. A justiça ambiental emerge como uma expansão da luta por equidade, elevando o direito à vida para além da humanidade. A superexploração é um elemento a ser reescrito, com a diminuição das práticas extrativistas e a adoção de práticas regenerativas, ainda que isso traga rupturas profundas na organização global atual.

Adoramos a ciência moderna, que nos deu anos a mais de vida. Mas a imortalidade não é um parâmetro humano alcançável. Precisamos, talvez, de uma ciência que valorize a vida enquanto coletividade, que enxergue o humano demasiado humano enquanto um ser múltiplo, que deixe uma história viva após nossa passagem. Reconstruir escalas de valor, sem o romantismo de que a ação individual é o bastante. Um novo pacto passaria primordialmente pela articulação entre indivíduos, instituições e culturas. Formação de redes, encontro entre muitas vozes, ativismos locais, lideranças globais, são muitas as frentes que disseminam o caminho possível.

Há um desejo forte, de parte de lideranças globais, de estruturar uma governança para as grandes crises; mas essa iniciativa precisa das raízes locais, comunitárias. Precisamos atingir a microescala, aprender com a natureza a respiração de seus ciclos. Retomar o encontro do relógio maquínico com o tempo sagrado dos astros.

Alguns mitos e símbolos ancestrais nos ensinam sobre valores sustentáveis. Povos originários, em suas relações simbióticas com o sagrado da natureza, trazem outra ética. Em movimentos de direitos da natureza, como no Equador e Nova Zelândia, rios e florestas têm voz. Esse novo olhar ecológico, ao reintroduzir os mitos no debate ambiental, nos afasta da visão instrumental da natureza. Não falo sobre dogmas, verticalidades de pensamento, mas sobre o saber do sensível, da capacidade de religar-se com o que importa.

A urgência é, então, costurar a rede existente de forma que ela se entrelace com a governança global e local. Dar voz aos modelos de gestão e resistência que permitam decisões políticas concretas, enraizadas na realidade das micro escalas. Redes como o Navdanya, Pachamama.org, Rede Ambiental Indigena, Seed Freedom, Global Forest Coalition, Via Campesina, entre outros, nos permitem conhecer outros mundos possíveis. Mundos capazes de tentar frear o ciclo devastador e realinhar nosso modo de viver com as possibilidades reais do planeta.


Ultimo pedaço de terra livre

No alto dessa colina estamos reunidos sob o céu carregado. Somos camponeses, cientistas, poetas e anciãos de diversas etnias, unidos pelo propósito que nos sobrou. Transformar essa colina em um santuário de resistência e renascimento. Sem certeza de nada, apenas uma missão clara: desacelerar o tempo. Queriam, como quem retém a respiração, reconfigurar a existência.

Sentimos o peso da crise em cada camada da pele, mas ali, no silêncio coletivo, começamos a compreender o real significado do vínculo entre terra e vida. A humanidade, percebe atônita, não poderia sobreviver sem mudar o curso de seus passos.

Ali, plantamos as últimas sementes que nos alimentavam. A “ciência do toque”, técnica ancestral de cultivo e afeto com o ecossistema local. Ao lado do plantador, cientistas traduzem aquele saber em dados, replicáveis e espalháveis para outras comunidades. O que germinou em nós, espalhamos pelo mundo, como um fogo que arde em nome da cura. Será que há outros de nós por aí?

E no murmurar da madrugada que já não ve estrelas, em torno da fogueira debatemos um futuro onde a economia serve à terra e não o oposto. No silêncio da urgência,  esta é uma revolução do sensível. Se um dia o futuro existir, começaria exatamente ali, sob o céu em murmúrio e o último solo fértil e livre. Ali respiramos o tempo calmo das sementes.

autoria própria: ultimo pedaço de terra livre

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cultura, filosofia de vida, Inteligencia Artificial, política

Algoritmos Sociais: Quem Escreve as Regras que nos Guiam?

Dando sequência ao texto anterior, sigo explorando temas que não inseri naquele, mas que refleti a partir da literatura de Asimov (somado às outras coisas que li na vida).

Podemos definir algoritmo como uma sequência finita de instruções claras, quando seguidas, levam à solução de um problema ou ao alcance de uma meta. A partir dessa ideia, gostaria de explorar o conceito para além de sua conotação técnica e matemática. Pensando no algoritmo como um paradigma global, podemos agenciá-lo como um processo estruturado, onde as condições iniciais geram resultados previsíveis a partir de alguns passos lógicos.

Podemos, então, falar em “algoritmos sociais”?

Esse é o ponto central deste texto. Vale lembrar que este é um texto reflexivo, e não uma pesquisa científica formal. Com isso, dou-me a liberdade de explorar ideias originais, sem a necessidade de rigor científico, ainda que seja uma tentativa de produzir conhecimento, e dou-me também o direito de estar equivocado. Voltemos, então, às elucubrações.

Uma “organização algorítmica” da vida implicaria na existência de regras e padrões que regem o comportamento coletivo e individual em uma sociedade. Pensando assim,  convenções sociais, normas culturais e até sistemas econômicos podem ser vistos como algoritmos sociais, pois seguem preceitos que moldam as interações humanas.

As redes sociais são um exemplo contemporâneo de como os algoritmos impactam a sociedade. Eles filtram, priorizam e promovem informações, influenciando comportamentos e opiniões. Surge, então, uma crise: estamos sendo controlados pelas corporações que detêm os algoritmos?

Expandindo essa reflexão, podemos dizer que qualquer contexto social com processos estruturados de interação ou decisão opera dentro de “algoritmos sociais”. Eles podem ser explícitos, como regras de conduta, ou implícitos, como preconceitos culturais que orientam decisões.

Legislações, por exemplo, podem ser vistas como uma forma de algoritmo social, pois estabelecem regras formais que orientam as ações das pessoas. Assim como um algoritmo processa informações de maneira determinística, as leis processam entradas legais e produzem saídas específicas, como sanções ou recompensas. O novo aqui não está apenas em controlar o ambiente, mas nos corpos e nas disputas que se dão dentro desse ambiente.

No caso dos algoritmos digitais, seu impacto é evidente na circulação da informação, influenciando decisões políticas e de consumo. Eles intensificam a desterritorialização e criam rupturas nos contratos sociais e democráticos.

Diante disso, surge a questão da neutralidade desses sistemas. Assim como os algoritmos digitais carregam intenções e vieses, as leis são escritas por pessoas com poder político e econômico, refletindo interesses e desigualdades. A velha máxima prevalece: quem controla a escrita, detém o poder.

Mas, se não sabemos quais regras nos guiam, como saber para onde estamos sendo levados? Aqui surge um equívoco comum: assumir uma regra: o controlador é inimigo e negar o sistema por completo. Fechar o mundo iniciado por Alan Turing é impossível, uma luta quixotesca. A disputa concreta creio que está no direito à escrita, no poder de sermos os autores de nossas próprias leis.

Assim, o discurso das redes abertas precisa ser retomado. Devemos trilhar dois caminhos: a curto prazo, compreender os algoritmos que nos cercam; a médio prazo, garantir o direito de escrever nossos próprios algoritmos.

No conto Andando em Círculos, de Asimov, o personagem principal, diante de um movimento robótico que parecia um bug, precisa fazer uma operação inteligente. Ele para, lembra das três leis da robótica, investiga o fato estranho e a partir do debruçar intelectual encontra uma saída original para si. O conto não mostra que, ainda que um algoritmo tenha sido produzido pra dar um resultado enviesado, ele possui linhas de fuga diante da investigação profunda e original.

O filme Bill e Ted é outro que explora de maneira divertida o poder do algoritmo. Bastou uma regra resumida em uma frase adolescente, e o futuro encontraria a paz mundial: “Sejam excelentes uns com os outros”.

A disputa urbana de uma smart city passa por aí, disputarmos o sistema lógico de gerenciamento automatizado da cidade, sem negá-lo como algo útil. O que precisamos é fazer parte de quem governa a produção das regras, ou ao menos ter as regras escritas de forma aberta para que possamos investigar os processos.

Estudar os algoritmos, tanto em seu sentido técnico quanto social, nos ajuda a entender como sistemas de regras influenciam a dinâmica social, muitas vezes de maneira invisível ou intencionalmente projetada. Também nos aprimoramos para construir os novos sistemas de interação política e social que virão a estruturar o mundo. O grande barato é vermos que algoritmo não é algo novo, hermético e complexo. O que não faz torna-lo um vilão, é que estamos excluídos do direito de comunicação, que por sua vez dificulta um direito de ação.

Desenho autoria própria só para alegorizar o texto.
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ciência, Inteligencia Artificial, política, Sem categoria

Política em Rede: do Esgotamento das Estruturas Tradicionais ao nascimento prematuro das Estruturas Algoritmo

Isaac Asimov, um pioneiro em robótica e algoritmos, nos apresentou uma visão importante da sociedade: a possibilidade de uma estrutura regida por regras claras e universais, capaz de coordenar nossas ações e interações. Hoje, enfrentamos um desafio semelhante, mas em um contexto muito mais complexo. Como construir uma política que dê conta da diversidade e interconectividade de uma sociedade em rede, onde as antigas formas de organização coletiva estão esgotadas?

Estamos em um momento de ruptura social: as grandes estruturas de organização coletiva, que por muito tempo sustentaram partidos, ordens religiosas, movimentos sociais e ajudaram a produzir as políticas públicas, hoje não falam de forma completa à nossa realidade. A lógica de massas parecem ultrapassar limites que não são mais suficientes para abarcar a complexidade das relações contemporâneas. Se as bandeiras unitárias não oferecem mais nós mobilizadores, é porque a realidade das redes expõe um novo modo de organização e de interesse social – mais fluido, interconectado e diversificado.

A lógica de identidade, apesar de ainda ser útil na construção de políticas públicas, atinge um limite ao deixar de fora uma vasta gama de indivíduos que não se enquadram nos padrões necessários para serem atendidos. Assim, indivíduos encontram em redes contemporâneas respostas para inquietações e problemas que lhe parecem prioritários. Um jovem favelado gay criado na igreja batista que não se sente oprimido por questões de gênero no seu ciclo cotidiano, mas que tem a geladeira vazia vai encontrar como prioridade uma luta material por sobrevivência (dinheiro e comida) do que uma luta por gênero por exemplo. Um garoto branco morador de favela que fica em segundo plano na lida de uma ONG que combate o racismo pode sentir-se preterido em uma luta periférica e tentar encontrar seus caminhos em outras esferas.

Em tempos anteriores, estes exemplos eram poucos ou, ainda havia uma capacidade de aglutinar casos diversos sob uma bandeira. Porém, os dias atuais, a singularidade e diversidade se tornam o elemento de desejo e interesse.  O dilema que enfrentamos está justamente aí: construir uma política que exige mobilização em massa – seja ela um Estado, um grande grupo social, ou uma coalizão- em um mundo cada vez mais diverso de representação e encaixe. A sociedade em rede evidencia cada vez mais as singularidades, seus fluxos e interconexões. O detalhe que te diferencia é tão ou importante quanto o que te iguala no sistema. Se o que me diferencia é mais desejante do que aquilo que me une, como consigo construir uma política de massa, visto que esta precisa se balizar por uma média da maioria?

Estamos habituados a padrões organizacionais modernos, pós-industriais, que buscam algum tipo de elo de segurança: uma ordem, uma liderança central, ou um corpo de controle administrativo, gestor. Contudo, a realidade atual escapa a esse modelo. É simplista e até ludita acreditar que o controle das redes sociais, por exemplo, é movido apenas pelo desejo de um “grande irmão capital”. Acreditar que, ao identificar um driver central, resolveremos os problemas das redes ignoramos o fato de que vivemos em um sistema cada vez mais descentralizado.

Pensemos em nossa rede atual como um sistema que se organiza por múltiplos nós interligados. No entanto, não nos coloquemos como esses nós, mas sim como as pulsões que trafegam por eles: somos entes de força ativa. De forma autônoma, porém organizada por uma série de protocolos e regras (como as três leis da robótica de Asimov), podemos navegar por espaços que são tão reais quanto virtuais. Um bom exemplo são os motoristas de Uber, que discutem política durante suas viagens, demonstrando como fluxos de informação se formam e se dispersam em redes complexas independente de serem sistemas virtuais.

Cada um de nós pode ter seu próprio foco, suas próprias lutas e papeis, constituídos ou constituintes. E nossas ações, por sua vez, são coordenadas por mecanismos distribuídos, como blockchain, sistemas peer-to-peer, ou redes neurais profundas, que possibilitam a comunicação sem a necessidade de uma estrutura centralizada. Esse modelo se reflete nos movimentos sociais contemporâneos, como os trabalhadores de aplicativos, que constroem solidariedade e trocam informações sem depender de uma hierarquia formal.

Assim, o controle do sistema não é o que inserimos, surge mais da interdependência e do fluxo de informações que de uma autoridade central. A dinâmica do poder torna-se difusa, surgindo de inúmeras interações que operam em sinergia, muito além das visões modernas de controle total por corporações ou governos.

Diante dessa realidade, nos vemos obrigados a compensar as formas de construir uma política global que seja capaz de coordenar esses fluxos, respeitando a singularidade de cada nó, ao mesmo tempo, articulando uma ação coletiva. E isso é algo extremamente desafiador, pois nosso primeiro enfrentamento é romper com dogmas e paradigmas industriais e pós industriais.

Não é tarefa simples repensar o planeta dentro destes novos modelos, não acontecerá pelos sistemas constituídos e consolidados. Talvez, como todas as grandes mudanças da humanidade, acontecerá de forma periférica, meio alternativa, até que as estruturas estejam prontas. A questão é que talvez não tenhamos tempo na Terra para tal reorganização social. Se Asimov nos ensinou algo, é que o desafio não está apenas em criar novas regras, mas, principalmente, em como nos relacionamos com elas. Detesto terminar texto com perguntas, porém este será assim. Estamos prontos para pensar a política a partir da perspectiva de redes complexas e algoritmos?

Por pura diversão, pedi ao DALL-E para criar três imagens a partir de três narrativas:

1 – uma visão a partir do pensamento do senso comum sobre as redes a partir do controle do capitalismo

2- uma visão a partir do pensamento do senso comum sobre as redes com uma vitória do sistema soviético

3-uma visão a partir das reflexões postas aqui e da articulação das teorias das redes complexas.

Deixo aqui para alegoria e apreciação.

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Arquitetura e Urbanismo, Inteligencia Artificial, política, rio de janeiro, Subúrbios

Quem Vigia a Cidade? Os olhos verdes dos Totens de Segurança no Rio.

Esta semana, deparei-me com um novo elemento curioso na paisagem urbana. Pelo que observei, ele já está consolidado há algum tempo em certos pontos da cidade: totens espalhados por vias importantes de diversos bairros, construídos em material metálico, com uma luz verde que remete ao visual de “Matrix”, decorados com símbolos criptografados e a mensagem: “Esta rua é protegida pela Gabriel.”

Sem muito alarde, o Rio de Janeiro recebeu um novo tipo de controle social — desta vez, tecnológico e digno das literaturas de Orwell, Asimov, Neumeier e Miner, ou até mesmo das irmãs Wachowski. A tecnologia em si, assim como sua implementação na cidade, não é uma novidade. Ela me remete à transformação de um conceito comunitário estudado por Jane Jacobs, o dos “olhos da cidade”, em capital e negócio.

Não entrarei aqui no debate sobre a privatização total do controle da violência no Rio, tema que se manifesta em exemplos como o domínio de territórios por forças paramilitares diversas. O foco, neste caso, é o fim da urbanidade e a terceirização dos olhos das ruas. Modelos tradicionais de bairro, que sempre foram vendidos pela ideia de encontros, de relações diretas com o espaço público, com o diferente e o inesperado, perderam a disputa subjetiva. A “condominialização” da vida venceu, e isso nos diz muito sobre como a cidade pode ser completamente terceirizada.

A vida condominial transfere responsabilidades significativas do Estado para grupos privados. Vias públicas inteiras passam a ser monitoradas por sistemas variados: síndicos, associações de moradores, lideranças locais, empresas de segurança, entre outros. A vigilância por câmeras, que o próprio Estado já promoveu com iniciativas como o COR (Centro de Operações Rio), agora divide espaço com empresas como a Gabriel.

Um aspecto intrigante da câmera é sua estética própria, claramente bem estudada, que vai das cores às mensagens e aos símbolos, sua cor verde, seus signos criptografados no totem e até mesmo seu nome próprio masculino sendo tratado pelo gênero feminino. Esses elementos constroem uma “persona” e uma mensagem, como nos ensinaram os grandes pensadores da ficção científica e os grandes religiosos do mundo. À primeira vista, pode parecer o mesmo modelo de negócio do COR, mas o universo simbólico em torno da Gabriel aponta para outra direção. A câmera quer ser vista, decifrada e, acima de tudo, quer nos vigiar 24 horas por dia.

Ironicamente, num mundo onde o direito de ir e vir e a defesa da vida privada são tratados quase como mantras por aqueles que defendem esse modelo de segurança, essas empresas têm o poder de transformar nosso cotidiano em um verdadeiro “Big Brother”, usando a segurança como justificativa. Outra ironia: os mesmos defensores dessas câmeras nas ruas muitas vezes se opõem ao uso delas para monitorar operações policiais.

Curiosamente, a presença da Gabriel não parece ter tido um impacto significativo na redução da criminalidade ou na sensação de segurança entre a população, assim como o COR tampouco teve. No entanto, essas câmeras foram fundamentais para registrar casos de abuso de poder policial e racismo, como o que ocorreu com os jovens negros, filhos de diplomatas, em Ipanema.

O povo, em geral, parece indiferente à presença vigilante passiva desses totens — soldados eletrônicos privados que tudo veem — assim como são com relação às câmeras do COR. Quanto a nós, é preciso compreender um ponto crucial: nenhuma tecnologia aplicada está isenta das escolhas humanas. E é nisso que devemos nos concentrar ao lidar com as “Gabriels” e CORs da vida. Vale lembrar que, quando certas forças de poder na cidade quiseram executar Marielle Franco, algumas câmeras do COR simplesmente fecharam os seus olhos.

Este é o ponto, o problema não está nas tecnologias por si mesmas, mas sim na nossa relação com elas. Este talvez tenha sido uma das lições mais importantes que Asimov nos deixou. Portanto, fica o recado a todos esses olhos que nos vigiam: estou ligado no movimento.

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Arquitetura e Urbanismo, Inteligencia Artificial, política

A Transformação Digital na Construção Civil: BIM, Digital Twins e IA

A indústria da construção civil segue ufanista com as plataformas BIM, embora muitos ainda confundam BIM com certas ferramentas proprietárias. No entanto, suspeito que essa lógica de pensamento esteja se tornando obsoleta, mesmo antes de atingir seu auge. O avanço tecnológico tem dessas peculiaridades; quem se lembra dos laserdiscs, precursores dos CDs?

O Papel das Ferramentas na Arquitetura e Engenharia Digital

Primeiramente, é crucial entender que a questão central não são as ferramentas em si, mas seus métodos de operação, interface com o usuário e propósito. O BIM continua sendo o melhor método para produção de dados e gerenciamento de documentação em projetos de arquitetura e engenharia. No entanto, ferramentas de inteligência artificial estão surgindo para potencializar decisões em projeto, manutenção preditiva, simulação e análise em tempo real. Quando integrados a sistemas de Machine Learning, esses dados ajudam a construir um arcabouço de soluções possíveis para problemas complexos.

Integração de Digital Twins e IA na Arquitetura e Engenharia

Na fase atual, a IA se tornou um complemento importante às ferramentas de projeto. A aplicação de Digital Twins, por exemplo, permite uma análise robusta de dados em tempo real, automação de decisões e otimização através de simulações. O que o Digital Twin faz é criar um “gêmeo virtual” de objetos, processos ou sistemas físicos, monitorando-os em tempo real e de forma detalhada. Isso permite a otimização de seu equivalente real, seja ele uma máquina, um mega edifício, uma indústria ou até mesmo uma cidade.

Sinergia entre BIM, Digital Twins e Machine Learning

A complementaridade entre BIM, Digital Twins e Machine Learning está transformando a arquitetura e engenharia ao automatizar processos de design, documentação e operação. O BIM já facilita a criação de modelos detalhados e a coordenação entre disciplinas. Com a integração de algoritmos de Machine Learning, será possível otimizar designs e reduzir erros de forma automática. Digital Twins, por sua vez, permitem monitoramento e simulação em tempo real, possibilitando manutenção preditiva e ajustes contínuos durante o ciclo de vida do projeto.

No futuro, essas tecnologias combinadas podem automatizar grande parte do processo de arquitetura e engenharia. Ferramentas de design generativo, integradas ao BIM, junto com a análise de dados históricos realizados por Machine Learning, permitirão que projetos sejam otimizados autonomamente. Os Digital Twins terão um papel crucial ao prever o desempenho dos ativos e permitir ajustes dinâmicos, resultando em construções mais eficientes e adaptáveis.

Até aqui,  falamos de algo que já está em curso na engenharia de ponta e nem consideramos o avanço tecnológico de ferramentas de design generativo que permitem a criação de múltiplas opções de design baseadas em critérios definidos pelo usuário. Nos permitindo explorar várias soluções de design rapidamente nas fases conceituais.

Sistematizando:

  • Concepção projectual: partindo do BIM e ferramentas de design generativo, auxiliado por Machinhe Learning, criamos automaticamente múltiplas opções de design, otimizadas para diversos critérios. Temos como papel, dentro disso, formular os critérios e diretrizes, aquilo que na língua do arquiteto chamamos de Partido e Programa, inserir os principais dados e selecionar, dentre as múltiplas opções entregues pelo design generativo, quais seriam as melhores soluções sugeridas.
  • Desenvolvimento e Simulação: O Digital Twins simulará continuamente o desempenho dos designs gerados em um ambiente virtual, permitindo ajustes em tempo real e a otimização antes da construção. Destes ajustes finos escolhemos o melhor projeto a ser construído.
  • Execução e Operação: A construção  será acompanhada e ajustada automaticamente com base no contínuo feedback do Digital Twins e nas previsões do Machine Learning. Durante a fase operacional, a manutenção e os ajustes de desempenho serão feitos de forma automatizada, gerando dados para otimização da obra e operação atual, tanto quanto para melhorias em novos projetos.

A partir desta sinergia, o ciclo de vida de um  projeto e obra pode ser  gerido de forma contínua, da sua concepção até o limite máximo de seu uso. Com o Digital Twins e ML ajustando o BIM conforme necessário para garantir que o ativo físico opere da maneira mais eficiente e durável possível.

O Compromisso Ético na Era da Automação

Nesse cenário de transformação, o compromisso central dos profissionais de arquitetura e engenharia deve ser a criação de diretrizes que assegurem a preservação da vida e do meio ambiente. Inspirando-se nos ensinamentos de Isaac Asimov, é fundamental estabelecer limites claros para o uso dos recursos naturais e desenvolver estratégias que não apenas minimizem os impactos negativos, mas que os transformem em benefícios ambientais. Com essas diretrizes, que garantem a proteção da humanidade e do planeta Terra enquanto entes vivos, os sistemas de automação poderão nos guiar para soluções inovadoras, potencializando compensações ambientais e estratégias globais que não apenas reduzam impactos negativos, mas quiçá também gerem impactos positivos.

Decisões estratégicas exigem um comportamento ético e político da profissão, além da competência técnica. É hora de caminhar em direção a um futuro mais digno e sustentável, onde a tecnologia seja uma aliada na construção de um mundo melhor.

imagem gerada pelo DALL-E tendo como input o comando: crie uma imagem artística de modelo de cidade com favelas toda formada com partes de lixo eletrônico.
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