Casas de vó e um design do cotidiano

O campo da arquitetura de interiores e design de interiores possui uma dinâmica acentuada no que diz respeito a tendências, modas, novidades tecnológicas entre outros. Em geral, seus postulados acabam por definir o que é elegante e o que está cafona, o que é belo e o que é feio em um determinado recorte de tempo e espaço. O que chega para as massas consumidoras, vindo de revistas e magazines especializados, blogs, propagandas e até programas de TV cujo eixo central é a reforma de uma casa ou compartimento, reflete este universo sob o qual gira o campo de trabalho de reforma de interiores, e por sua vez alimenta a rede social de desejos.

Quem não quer ter a casa bonita e aconchegante? Precisamos porém, lembrar que, a beleza tem história, e seus signos são construídos no tempo. Para tanto, é necessário desconstruirmos o sentido de beleza condicionada ao exclusivo, a itens de difícil acesso que por sua vez, acabam sendo um instrumento de poder.

Um exemplo: As tão desejadas casinhas brancas de Mykonos tem sua estética determinada pela mesma técnica de pintura que hoje em dia marca uma enormidade de casas mais populares do Brasil, a caiação. Aquele mesmo azul e branco que remete uma memória de rua de avó, de vizinho pintando calçada ou tronco de árvore (não faça isso).

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Entre o 7 de setembro e o 2 de outubro – este título não te atrai, não dá IBOPE e não da like

No dia 02 e outubro último fechou-se o ciclo de atos pós sete de setembro. Desta vez puxado por forças, movimentos e partidos organizados da esquerda. Apesar de terem sido atos com expressão (não maiores que o ciclo de atos pré dia 07 de setembro), não escaparam dos ciclos organizados da militância. Pelo lado do governo atual, uma continuidade do Bolsonarismo foi fomentar suas redes ampliadas de telegram. Após fechamento deste ciclo, seguimos na incógnita. Aparentemente, todas as forças militantes (pró e anti-governo) não tem conseguido mobilizar mais gente que suas bases de afinidade.

Em um dos grupos, com aproximadamente mais de 900mil seguidores, o governo segue sua técnica de comunicação com suas bases, a respeito das ações que tem implementado. Chamadas como: Veto a aquisição de bens de consumo de luxo por parte da administração pública, e reformas de aeroportos e outros sistemas de infraestrutura são alguns dos exemplos de informações divulgados.

A vida cotidiana por sua vez, começa a voltar ao normal por meio de decreto. No Rio, o carnaval já ativa boa parte da sociedade que se mobiliza em torno dele, bairros de subúrbios seguem a vida como se a pandemia não existisse, cuidados sanitários são só um crachá protocolar, muitas das vezes tratado como teatro. Os tempos atípicos que a pandemia abriu estão em refluxo. A massa do povo, que não atua politicamente de forma militante, parece ter ficado anestesiada diante de tudo, ou simplesmente não está nem aí.… Leia mais

12 de outubro – Nossa Senhora da Conceição Aparecida, uma reflexão sobre o espaço.

O Brasil profundo se encontra e se reconhece em Aparecida. Na basílica onde multidões buscam um milagre, um sinal, uma recompensa ou uma simples esperança do cotidiano. Hoje também é dia do Cristo Redentor (o filho) e arquitetura/escultura símbolo da cidade do Rio. Dia 12 de outubro o país conecta sua religiosidade, sua espacialidade, seus territórios e seu cotidiano.

É comum gastarmos esforços e discussões sobre a produção do espaço pelos mais diversos parâmetros econômicos e materiais. Estudamos a viabilidade, mobilidade, eficiência, capacidade de produção e de investimentos. Pode ser, mas o habitar é uma teia complexa, que passa pelo material mas não só por ele.

As múltiplas Nossas Senhoras que existem no mundo, são referência a uma mesma santidade católica, Maria mãe de Jesus, cujos nomes diversos expressam um momento ou um lugar especial. De certa forma, Maria, que para o catolicismo tem o papel intercessor entre o Cristo e a humanidade, também constrói socialmente esta imbricada relação de pertencimento social do ser humano com o lugar. O espaço ganha importância e sentido a medida em que nele se firma a aparição, seguido do primeiro milagre, do burburinho social e da peregrinação capaz de transformar o espaço ermo em lugar de encontro.

Este é um indicie importante para pensarmos nossa capacidade de ocupação dos espaços: onde estão nossas conexões de importância com ele? Seja Nossa Senhora Aparecida conectando o Brasil ao Paraíba do Sul, seja o Cristo Filho e Redentor conectando a Mata Atlântica com a vida cosmopolita de uma cidade metrópole.… Leia mais

7 DE SETEMBRO DE UM BRASIL EM QUESTÃO

Findados os atos e manifestações populares pró e anti Bolsonaro vai um balanço. Foram três movimentos bem demarcados, uma manifestação de 7 de setembro de apoio ao presidente, no mesmo dia o tradicional grito dos excluídos puxados pelos movimentos socials e partidos da esquerda tradicional, este ano em protesto ao presidente, e hoje dia 12 um ato pró-impeachment do Bolsonaro puxado pelo MBL e partidos de centro, de direita e de esquerda.

Primeiro em termos de massa, é notório que o apoio ao presidente ainda vigora no povo, com um ato mais plural, o Bolsonaro mostrou que ainda tem força e apoio popular em sua sustentação. Ainda que não tenha sido forte o suficiente para assumir o golpe em curso, o foi pra garantir uma rearticulação no poder. Quanto ao grito dos excluídos, mostrou alguma massa, mas não extrapolou o recorte dos movimentos, Um pouco se deu por parte dos próprios movimentos e partidos não terem apoiado a ida massiva às ruas por medo de um pretenso conflito. O ato puxado pelo MBL e partidos de centro, de direita e de esquerda também se mostraram esvaziados no dia 12 de setembro.

Parte do esvaziamento se deu pela carta de armistício entre o presidente e os demais poderes, parte pelo próprio esmagamento da militância tradicional em esvaziar, e parte pelo esvaziamento próprio da construção. No fim, o balanço principal que pode ser feito parece apontar um ganho político para o Bolsonaro e o bolsonarismo, que consegue se afastar das cordas e repactuar com o congresso e com o STF.… Leia mais

Praças e Parques para os Subúrbios

É notório que o mapa verde da cidade do Rio espelha seu recorte territorial classista. Assim como ausência de outros elementos de qualidade urbana, também nos falta a paisagem verde, o espaço livre e os respiros. Em meio a isso, vemos algumas operações interessantes acontecerem como o anúncio do Parque Municipal Nise da Silveira.

É com bom grado que observo a instauração do parque em questão, a derrubada dos muros e a ressignificação deste espaço que foi um elemento altamente segregador da sociedade. Há de se considerar por sua vez que o pensamento paisagístico e urbanístico deste parque gera um desafio importante, pois não devemos apagar a história. A solução a meu ver passa pelo olhar sensível dos movimentos que já atuam no lugar, perceber e trazer para o parque a qualidade do trabalho do hotel da loucura e do espaço travessia pode ajudar a dar esta reposta. Há de se ter cautela de não adentrar na produção do espetáculo, da arquitetura do eventismo e buscar a arquitetura da profundidade experimental e sensitiva que este lugar traz. O urbanismo pode ser uma aula viva da história que não devemos repetir, há projetos bem sucedidos no mundo em relação a isso, como por exemplo o memorial aos judeus mortos na Europa, ou Aushwitz, entre muitos outros. Precisamos pensar e trabalhar o tom e o espírito do lugar.

O Parque Nise somado a revitalização da antiga Universidade Gama Filho poderá fomentar e muito a qualidade de vida e interesse por parte da sociedade no entorno destas regiões, poderá fazer parte destes bairros reviverem um pouco do que um dia representaram na história desta cidade.… Leia mais

DOS SUBÚRBIOS ROMANTIZADOS ONDE VIVEM OS BONS SELVAGENS

No Rio de Janeiro segregado e desigual, o suburbano é aquele que, através de um olhar tático sobre a vida tenta resistir as intempéries das escolhas políticas extremamente desiguais que comportam esta cidade. Se outrora os Subúrbios foram um intermeio entre o urbano e o rural, hoje podemos refletir sobre o mesmo termo ser um intermeio entre o a parte aceita da cidade e a favela.

Algo importante a dizer, quando falamos em favela, em subúrbio, em urbis, o que está em pauta não é a morfologia, a distância periferia-centro ou outros. O eixo principal é a forma de organizar e distribuir socialmente o povo e os recursos do território. Neste sentido podemos traçar por exemplo que: Favela, é o território onde o Estado considera legitimo matar, com anuência da opinião pública. Independente de seu traçado urbano é um território excluído dos mais básicos direitos civis como acesso a moradia, saneamento, transporte, direito, lazer, cultura.

Quando se fala em Subúrbios, o que temos é uma fusão das condições da parte aceita da cidade com a parte que a cidade não quer. Falamos sobre territórios de grande ambiguidade e discrepâncias intraurbanas. Uma distribuição de bairros de classe média a bairros mais pobres, alguns pequenos núcleos melhor estruturados comercialmente e imensos vazios urbanos negligenciados. A violência explícita que incide sobre as Favelas, não incide de mesma forma sobre os lugares que se denominam Subúrbios.… Leia mais

O SUBURBANO VAI À PRAIA

Um tipo corriqueiro de notícia acontece em todas as proximidades de verão: a disputa da cidade pelo direito de uso e frequência da praia. Quando observamos no decorrer do tempo, percebemos que este movimento não constitui fatos puramente locais ou um casos isolados. O que se constrói mesmo é um organização simbólica da praia como um direito de todos os cidadãos. O Rio conhecido como cidade balneário, apesar de ter assassinado suas duas baías, define o controle social, todos os cidadãos podem utilizar da praia mediante uma certa forma de se ser e se portar, mas o principal é que ao invés da praia ser entendida como pertencente a todos os cidadãos ela é entendida como pertencente aos moradores do bairro.

O texto abaixo foi um fragmento da dissertação defendida: Rizomas Suburbanos: possíveis ressignificações do topônimo Subúrbio Carioca através dos afetos de 2015, mais precisamente nas páginas 67 a 69. Segue o fragmento na íntegra:


Quando falamos de Subúrbios Cariocas e disputas territoriais, percebemos que a ida à praia representa notório conflito na cidade. Fazemos uma ressalva de que problematizar e se aprofundar nas questões associadas ao uso e apropriação da praia exigiria outra pesquisa. O que demonstramos aqui é como as subjetividades podem ser traçadas a pela imprensa e que discursos são ditos com isso, ou ficam marcados através disso. Neste ponto, levantamos algumas notícias de jornais datadas entre os anos de 1969 e 1991 que nos remete a estes conflitos.… Leia mais

AVENIDA BRASIL E CENTRO NO ALVO

O Rio de Janeiro tem vivido uma ebulição de movimentações especulativas que estão sendo lançadas separamente, mas que precisam ser lidas conjuntamente para melhor compreensão nossa. É notório que os atuais movimentos da prefeitura só terão resultado perceptível em um prazo longo de tempo. A prazo curto o principal movimento parece ser o realinhamento dos instrumentos da cidade para favorecer o setor imobiliário e de construção civil.

Citamos aqui apenas algumas propostas que nos permite pensar o que está sendo e o que será desta cidade daqui pra frente. Antes de mais nada, importante recortar que as condições de possibilidades desta escrita tem como base o que é publicado em jornais, magazines, círculos de debates entre outros.

Entre alguns movimentos:

  • Forte proposta de reaproximação do capital imobiliário no Centro da Cidade,
  • Aumento de potencial e interesse imobiliário para os bairros da Zona Norte próximos ao Centro e para os bairros da Zona Sul,
  • Venda de próprios públicos para a iniciativa privada, através de leilões,
  • Flexibilização de legislação e de parâmetros urbanísticos e de fiscalização,
  • Flexibilização de legislação de bens tombados e preservados.

Antes de adentrarmos, um elemento importante quando falamos das pressões da especulação, está na direção e sentido pra onde a cidade investe. O Rio de Janeiro pode ser lido (simplificadamente) por dois mega vetores de expansão, do seu centro caminhando para as praias oceânicas é definido o lugar da burguesia, das elites, das classes médias mais abastadas e do seu centro pro interior das baías (Guanabara e Sepetiba) é destinado aos moradores mais pobres, às indústrias e etc.… Leia mais

O RAPTO COGNITIVO DA ARQUITETURA E A AMEAÇA AO GUSTAVO CAPANEMA

A construção de sentido das cidades se dá por experiências materiais e cognitivas que caminham lado a lado conforme define-se o projeto e as disputas sociais inseridas nelas. Há muito que o projeto de bem público no Brasil não é prioritário, e desde sua formação que o projeto de cidade para o Rio é segregado. Por mais belo e simpático que eu seja do conceito de costura, de cerzimento, a resistência não dá conta de resolver o problema real da cidade.

Hoje nos deparamos com mais um possível crime ao patrimônio. Uma lista de inúmeros bens públicos da União (mais de dois mil) que o atual governo pretende simplesmente desfazer, leiloando ao mercado privado. O coração deste debate se debruçou sobre o edifício Gustavo Capanema. Joia da arquitetura moderna mundial, o prédio em si é uma das aulas mais puras do que representava as premissas do modernismo.
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PILHAGEM URBANA DO RIO

Começo o texto a partir de uma notícia recente. Saiu no diário do Rio matéria comentando sobre o agravamento imobiliário na Barra da Tijuca causado pela mudança da Vivo de sua sede neste bairro para o Porto Maravilha.  Esta matéria, apesar de focal, fala sobre um processo histórico da cidade do Rio, a disputa territorial pela centralidade comercial da cidade.

Os grandes pensamentos imobiliários e interventores que definem esta cidade, a muito tempo que tencionam esta disputa. Temos o Rio com um centro oficial, claramente delimitado e legitimado pelo processo histórico de formação deste país, e a proposta idealizada de construção de um centro novo. E em meio a isso, para o restante da cidade, o De Janeiro, fica o desleixo e esquecimento de tudo que não rebate diretamente nestes espaços.Leia mais

“AS NOSSAS RIQUEZAS, AS NOSSAS CARNES, AS VIDAS, TUDO. VOCÊS VENDERAM TUDO!”

É interessante este ponto de vista do sujeito indeterminado no lugar em que rotineiramente damos a notícia apontando o incêndio como sujeito. Pois bem, não poderíamos nunca imaginar que hoje, dia 29 de julho de 2021 estaríamos novamente debatendo o mesmo elemento e apontando o que denunciamos com a notícia: Incêndio atinge depósito da Cinemateca Nacional. 

Originalmente matadouro, o patrimônio se manteve e passou a abrigar a cinemateca brasileira após interessante projeto arquitetônico de Nelson Dupré. Este não é o primeiro incêndio que assola a cinemateca, que já viveu dias de dor em 2016. Este infelizmente é o retrato comum de um país que vê seus espaços de preservação da história sendo lançados ao relento. Leia mais

BREVE REFLEXÃO SOBRE A ESTÉTICA E O DESENCONTRO ENTRE ARQUITETURA E SOCIEDADE

Um de meus primeiros contatos no campo de estudo da estética, ainda na faculdade de arquitetura, envolveu disciplinas de estudo da forma e expressão gráfica. Em minha formação por sua vez, tais estudos sempre se embasaram em uma visão de mundo greco-romana (uma das visões mães da Belas Artes).

Embora o modernismo, pensamento que estruturou boa parte do início de minha formação, tenha proposto uma ruptura às Belas Artes, sua base filosófica ainda pairava no mesmo ambiente de estudo da forma ideal pela forma real, proporções áureas, uma certa harmonia estética que era ascética e hermética pro todo da sociedade. Esta base seguiu escola a dentro pensando projetos de arquitetura onde a pessoa não estava em um plano claro, e a condição financeira também não. Enquanto isso, o mundo aqui fora, no lugar vivido seguia construindo, a seu modo, com seus referenciais e suas condições de possibilidades. Estudávamos lajes planas enquanto pro povo o luxo era um belo telhado colonial das mansões da Casa Cláudia.Leia mais

MONUMENTALIDADE DE PATRIMÔNIO: o que o incêndio ao monumento de Borba Gato nos diz.

Não vou alongar muitos argumentos sobre a questão do monumento aqui. Mas vou tirar um texto específico do saber técnico-científico do campo da arquitetura pra comentar a respeito da questão de patrimônio, monumento, preservação.

Partindo do texto: os 9 Nove pontos sobre a monumentalidade escritos por José Luiz sert, Frenand Léger e SIefried Giedion.
Seu primeiro ponto traz:
\”Monumentos são marcos que o Homem criou como símbolos dos seus ideais, dos seus desejos, das suas ações. São concebidos para sobreviver ao período que lhes deu origem e constituem uma herança para as gerações futuras. Como tal formam um elo entre o passado e o futuro\”.
No seu terceiro ponto lembra:
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DESEJO DE MATAR E AS CONTRADIÇÕES DO INDIVIDUALISMO

Em 1974 estreou o filme Desejo de Matar estrelado por Charles Bronson, esta obra tem um impacto peculiar na cultura da gente. O eixo central fala de um homem comum que após ter sua casa invadida, sua esposa é assassinada e sua filha violentada. Paul Kersey, um arquiteto de ideias liberais com visão de mundo anti-armamentista, se transforma pouco a pouco em um vigilante das ruas. 

filme dá um pontapé numa massa de produções com enredos de valorização da cultura armamentista como ferramenta de proteção do cidadão comum. Apesar disso, não podemos reduzir o enredo deste filme específico a esta propaganda. Desejo de Matar está muito mais próximo de Um Dia de Fúria, filme onde um designer industrial explode seu stress com o modelo de sociedade e se vê emaranhado numa teia de problemas que se desencadeiam e piora quando este se arma, do que de filmes e franquias que se inspiram nesse modelo do homem comum armado resolvendo tudo.Leia mais

VISTA ALEGRE esse pequeno pedaço de subúrbio

 Se antes falamos do Imperador e o conceito de lugar, porque não falar hoje do meu ou um dos meus Lugares ? 0 pequeno bairro de Vista Alegre.

Rogério Batalha, compositor, poeta e morador de Vista Alegre cita: nosso bairro é uma pequena Bahia, Jorge Amado realmente teria muito a contar sobre este lugar. Esse bairro que se avizinha a Cordovil, Irajá, Brás de Pina e vila da Penha é quase um condado pouco lembrado ou citado pelos cronistas da cidade. Em geral quando citamos Vista Alegre, é comum receber comentários e referências que vão desde um bairro de São Gonçalo até algum lugar da Barra.Leia mais

13 DE MAIO— DIA DE PRETO VELHO: Dos Subúrbios que os Subúrbios escondem.

13 de maio! Dia de Preto Velho. Adorei as Almas. 

Hoje o fio passará por este processo de imensa sabedoria que existe entre nós. É de se esperar que no país onde a história é contada pelos vencedores, tenhamos nos acostumado com o fim da escravidão sendo representado por um processo legal por parte da princesa com um fim todos felizes para sempre, dando um ar digno de contos e fábulas da Disney. 

Interessante porém, como o contraponto vem da sabedoria do povo, aquela que muitas das vezes é considerada como menor, por não ser uma sabedoria produzida nas égides da ciência iluminista ou dos clubes literários ou dos cafés onde poetas e compositores da burguesia se encontram. Foi na sabedoria do povo escravizado, no Candomblé, na Umbanda, nos terreiros e quintais que a homenagem se deu da melhor forma. Este dia onde a escravidão terminou mas o racismo permaneceu, celebramos a ancestralidade, os avós, avôs, pais, reinos, todos que foram desmantelados do direito básico a humanidade são lembrados hoje e nos dão as suas bênçãos. Leia mais