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O Congresso contra o Povo

O conservadorismo acolheu e organizou os mais pobres. Isso precisa ser sempre lembrado com alguma honestidade. Ele ocupou vazios, criou pertencimento, deu escuta e destino para gente que muitas vezes encontrou na esquerda apenas contradições e uma espécie de superioridade moral desgastada. Até aí não há tanta novidade. Desde pelo menos 2014, o país vive esse deslocamento, e fingir que ele não existe apenas aprofunda o nosso erro.

O ponto novo, porém, é que esse conservadorismo deixou de ser apenas sentimento social e passou a operar como poder. Quando toca o Congresso, quando define quais pautas avançam, quais travam, quais vidas merecem acesso ao orçamento público e quais podem seguir no improviso e na fome, ele revela o Brasil que deseja construir. E esse Brasil, muitas vezes, é duro com quem já não aguenta mais.

Se a esquerda tem o presidente, o conservadorismo tem o congresso e opera com ele para ter espaço de poder e gestão. Não amigos, não vivemos um governo de esquerda, mas sim o governo que sempre vivemos, esse parlamentarismo presidencialista esquisito onde as forças precisam manter sempre um grau de negociação para se manter no poder.

Em qualquer periferia de cidade grande e em muitos recantos de cidades médias e pequenas, existe um País à parte, onde a fome ainda organiza o cotidiano. Lugares onde viver com menos de um salário mínimo é regra, e ganhar um salário mínimo já parece vitória. Nesses territórios, o Bolsa Família não pode ser tratado como abstração eleitoral e cabresto, ele se torna a única estrutura real de sobrevivência. Organiza a compra da vida, a comida da criança, o remédio, o que dá pra organizar e ainda falta. E infelizmente, seguirá organizando a vida enquanto o Brasil não tiver um sistema produtivo capaz de absorver sua própria força de trabalho com dignidade e mínimo direito à mobilidade social.

A escala 6×1, que no fundo funciona como um 7×0 disfarçado, soma-se à miséria salarial, ao transporte exaustivo, ao aluguel impossível enquanto crescem alphavilles e studios e à ausência de horizonte palpável. O resultado é uma massa gigantesca de vulnerabilidade e sem esperança. Gente que trabalha muito, ganha pouco, descansa mal, adoece cedo e quase nunca consegue transformar esforço em prazer de vida. O país cobra disciplina de quem vive no limite, mas oferece muito pouco além da sobrevivência, na verdade nem a sobrevivência o País oferece.

Esse é o ciclo vicioso profundo. Não se levanta uma Nação condenando sua população a correr em círculo até morrer. Um trabalhador exausto não empreende sua liberdade. Uma mãe que passa três horas por dia no transporte não consegue “qualificar-se” por milagre. Um jovem que entra cedo demais no trabalho precário perde escola. O Brasil fala em produtividade, mas organiza a vida popular para desperdiçar inteligência humana. Maio é um mês significativo para os trabalhadores de um País cuja cultura foi forjada no escravagismo. 

A saída, a meu ver, passa por muitas lutas, porém quero deixar escrito alguns recortes. Um deles, ela exige tratar política social como infraestrutura de sustento da Nação. O SUS, apesar de todos os problemas, mostra uma coisa fundamental: quando o Estado chega de forma capilarizada, em rede, ocupando território, fomentando formação profissional, e garantindo continuidade política, ele muda a vida concreta. O mesmo princípio precisa orientar outras partes da estrutura social: renda, trabalho, cuidado, educação técnica, mobilidade e produção. Não basta distribuir benefício via política pública e deixar o restante da vida entregue ao mercado ruim, ao ônibus caro, ao aluguel predatório e ao subemprego moedor de gente. É preciso construir uma rede pública de política de sustentação da vida, integrada no território, capaz de enxergar família, bairro, escola, posto de saúde, transporte, cultura e emprego como partes do mesmo problema.

Isso passa por uma política nacional de trabalho honesta e decente, incapaz de se formar neste congresso de legisladores de causa própria, defensores de coisas espúrias. Como pensar política com estes seres abjetos incapazes de enxergar o país além da própria fazenda? O que dizer com palavras bonitas e sinceras? 

Há nesse Congresso uma venalidade profunda, uma mistura de pusilanimidade ética e arrogância oligárquica, gente que se ajoelha diante dos donos da terra (quando não são os próprios donos), da bala e do dinheiro e se vende barato para doleiros e cafetões de luxo, mas endurece a voz contra quem vive de salário, de benefício, do bico e com dívida. São capatazes legislativos de um país velho, cortesãos do atraso, defensores de pactos iníquos e projetos predatórios, enquanto chamam de responsabilidade aquilo que, no fundo, é apenas crueldade organizada. Essa é a gente que vai caminhar pelas ruas do seu bairro fingindo que gostam de comer pastel com caldo de cana. A cara de nojo que fazem quando mordem um pastel, não é pelo pastel, é pelo nojo que sentem ao estarem perto demais da gente. 

Tem pavor de pautas como: Redução progressiva da jornada, valorização real do salário mínimo, expansão da educação profissional ligada às cadeias produtivas locais, crédito orientado para pequenos produtores. Esse governo se torna tão ignorante que sequer enxerga que estas são pautas de caráter liberal.  Mas ainda cito mais possibilidades para construir: cooperativas, economia do cuidado, indústria verde, construção civil pública, saneamento, reabilitação de moradias e infraestrutura urbana nas periferias. 

O país precisa enfrentar essas criaturas sem receio. Criar um projeto que nos possibilite fortalecer a produção de vida, gerar trabalho e descanso para as pessoas reais, e não apenas empurrar corpos pobres para a vala da história, como empurraram para o Oceano de Sangue, Kalunga Grande (aprendi esse termo lendo o artigo da Vivian Carla Garcia Ferreira aqui).

Aqui também, a técnica pública institucional não pode ser resumida à burocracia de gabinete que atende a esses poderes de forma acrítica. Ela precisa medir tempo de deslocamento, renda disponível, acesso a creche, saúde mental, custo da alimentação, informalidade, produtividade territorial e capacidade real de permanência das famílias em seus bairros.

Um projeto sério para o Brasil começará quando a vida popular deixar de ser tratada como resíduo. O pobre precisa de tempo, renda, cidade, descanso, formação, crédito, saúde, cultura e poder sobre o seu próprio território. Enquanto isso não acontecer, seguiremos discutindo moralidade no alto, enquanto embaixo o país real tenta decidir se compra comida, paga passagem ou continua entregue a qualquer destino.

A boa política é aquela que transforma sobrevivência em caminho real de futuro. Esta política a meu ver, deve transpassar esse congresso e se possível desferir o máximo de danos a parte desta máquina público-privada usada a benefício próprio dessa gente estranha que ocupa as câmaras de poder.

Autoria própria
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Quem é o conservadorismo que me lê?

Notei, com o tempo, que tenho amigos e leitores conservadores que gostam do que escrevo. Fico feliz por isso. Entendo como sinal de que ainda consigo me comunicar com as pessoas, embora eu mesmo tenha dificuldade de fazer isso na fala. Creio que há aí um gesto importante: se não sou capaz de me comunicar com quem pensa diferente de mim, então talvez eu não seja capaz de me comunicar de verdade. 

Mas quem seria esse brasileiro específico? Tenho algumas percepções sobre isso, e quero dar aqui uma pequena pincelada.

O brasileiro não é conservador por folclore, por essência moral, muito menos por algum desajuste cognitivo ou intelectual. Pensar assim é partir da arrogância para construir uma caricatura. Creio que o tempo o empurrou para isso pelo medo e pela sobrevivência. Medo de cair mais um degrau, medo de perder o pouco que tem, medo de ver o filho capturado pelo crime, medo de não conseguir pagar o gás, medo de adoecer e não ter atendimento, medo de envelhecer sem proteção.

O Brasil das últimas décadas produziu consumo, desejo rápido de ascensão e vitrines digitais de vencedores, mas não ofereceu a mesma firmeza em trabalho, tempo e horizonte de vida. Ao mesmo tempo em que prometia autonomia, foi desmontando proteções do trabalho. Naturalizou vínculos frágeis, pejotização, intermitência e plataformização. A precarização não caiu do céu, ela foi construída como projeto de poder. E qualquer olhar honesto para o mundo do trabalho hoje percebe o estrago que a reforma trabalhista de 2017 aprofundou, especialmente entre os mais jovens.

A ideia do sujeito como “CEO de si mesmo” não é só delírio neoliberal importado de palestra motivacional. Muitas vezes, ela funciona como remédio paliativo de existência. Quando o mundo do trabalho retira garantias, o imaginário tenta devolver alguma dignidade. O homem que sai cedo de casa, pega condução, vende bolo, roda de aplicativo, faz bico, sonha abrir um negócio, assiste vídeo de empreendedorismo entre uma correria e outra, não está necessariamente imitando o rico nem sonhando em virar milionário. Muitas vezes, está apenas tentando não desabar de vez. É uma forma de dizer a si mesmo que ainda conduz alguma coisa, mesmo quando quase tudo ao redor diz o contrário. Por que enfrentar um 6×1 para um patrão por um salário mínimo, se eu posso tentar encarar um 7×0 para mim mesmo? Por que entrar cedo numa CLT, se mal acredito que um dia vou me aposentar?

O problema é que esse imaginário, quando capturado, ilude. Troca os direitos pela performance, descanso pela culpa e senso de comunidade por competição aflorada. O trabalhador deixa de se entender como parte de um corpo social e passa a ser tratado como pequena empresa em guerra contra a exaustão. E isso piora num país de trabalho fortemente informal e desregrado. 

É nesse ponto que a extrema-direita entra com inteligência afetiva. Ela percebe uma coisa que parte do campo progressista seja a esquerda ou mais liberal esqueceu: ninguém vive só de argumento cientificamente correto. As pessoas querem ser vistas, ouvidas, nomeadas, acolhidas em sua dor e em sua luta. Querem sentir que alguém as escuta sem rir de sua fé, de sua vergonha, de seu desejo de subir na vida, de seu apego à família e de sua necessidade de alguma ordem no cotidiano.

O ultra-conservadorismo cresce porque oferece espaço de escuta e fala para esse sofrimento. Não oferece país, nem transformação de verdade, mas oferece disciplina, pertencimento, inimigo comum e explicação simples, independente da ciência. Em vez de enfrentar a precarização da vida, organiza o desamparo como linguagem moral, mas o principal: organiza o acolhimento. Acalme-se, algum dia sua bênção virá, estamos entre irmãos.

Porém, ele também cresce e muito, na incapacidade das forças progressistas retomarem pautas comuns e pétreas de bem estar do povo, por medo de conflitar com suas pautas de poder pelo poder, cargo pelo cargo. Se tornando uma força de molde moral para controlar os que estão sob seu  cercado.

Talvez o erro mais sério de muita gente progressista atual tenha sido olhar esse Brasil apenas como objeto de pedagogia, estudo e pesquisa, e não como sujeito portador de inteligência. Houve análise demais e escuta de menos. Houve articulação demais e imaginação de menos. Como se bastasse anunciar indicadores, políticas públicas e boa intenção para que um povo exausto voltasse a acreditar na vida coletiva. Oferecemos política sem reconstruir vínculo, pertencimento e horizonte.

Porém, o povo também quer viver o sensível. Quer sentir que a vida pode ter algum brilho para além da conta paga em atraso. O conservadorismo entendeu isso antes: ocupou o campo do desejo, mesmo que com uma promessa estreita e envelhecida de mundo. Vende uma resposta, embora na prática atue de outra forma, basta ver o Trump e os seus piores conflitos: as lutas internas norte-americanas.

A disputa econômica também é disputa de imaginário, de vida boa, de futuro bonito, de reconhecimento solidário. O próprio debate sobre a escala 6×1 mostra isso. Não se trata apenas de horas e produtividade, embora isso importe. Trata-se do direito elementar de não viver esmagado pelo trabalho. É erro achar que economizar é não gastar mais com trabalhador. 

Horas de trabalho excessivas e salário baixo demais também destrói produtividade, aumenta rotatividade e piora o próprio negócio. E antes que me chamem de comunistas, economistas liberais defendem esse conceito.

A saída, então, não está em zombar do Brasil profundo, nem em idealizá-lo, mas em reencontrar dentro dele o seu desejo legítimo de vida. Algo que só é possível na escuta singela, sem julgamentos e com interesse de aprendizado. Há uma potência cotidiana que segue viva no país real. Ela está no churrasco improvisado de fim de semana, no salão de beleza lotado, no campo de várzea, no piseiro ligado numa caixa de som colorida, na mãe que faz render o almoço, na vizinha que olha o filho da outra, na feira, na oficina, na calçada, no culto de domingo, no chá partilhado enquanto se pega sol à beira do rio, no barulho de gente simplesmente sendo gente apesar de tudo. 

Por isso a boniteza de Paulo Freire ainda importa, como recusa da feiura moral que foi sendo naturalizada entre nós. Uma vida boa não pode ser privilégio de condomínio, nem fantasia vendida em parcelas, nem heroísmo individual de quem aguenta a escala, o bico e a humilhação calado. Ela precisa reaparecer como direito de respirar, conviver, descansar, estudar, circular, festejar, criar filhos sem terror e envelhecer sem descarte. 

O Brasil não precisa ser salvo de si mesmo. Precisa voltar a se enxergar como povo super diverso, criativo, complexo e digno de mais do que mera sobrevivência. Quando esse povo se vê apenas como empresário precário da própria miséria, o país encolhe. Quando volta a se reconhecer como portador de memória, trabalho, inteligência, diversidade de pensamento e desejo de beleza, o país pode novamente começar a pensar o Brasil.

Neste sentido retorno ao início. Afinal, aprendo com as trocas honestas dos amigos conservadores que me lêem e não sentem medo ou vergonha de conversar comigo sobre temas diversos.

Desenho autoral 2026
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Burocracia e Inovação: Os Desafios do Setor Público na contemporaneidade

A burocracia protege o Estado. Sei que essa frase assusta alguns. A burocracia, frequentemente criticada por sua lentidão e rigidez, é, paradoxalmente, uma das principais responsáveis pela proteção do Estado e pela implementação eficaz de políticas públicas. No entanto, o conceito de burocracia vai além da visão negativa implantada no seio do povo. Ele remete ao saber técnico e profissional das organizações públicas, baseando-se na racionalidade e no cumprimento de regras que garantem a estabilidade e continuidade das políticas, independentemente dos governos.

Embora as críticas à burocracia sejam, em grande parte, justificáveis, é necessário compreender a complexidade do seu papel no funcionamento do Estado. Primeiramente, é preciso assimilarmos algo: O Estado é um âmbito complexo e de disputa perene, não é um local passível de traçar um objetivo comum de forma simples, como uma empresa privada poderia fazer ao dizer: produzir e dar lucro aos acionistas. A tensão entre políticos (representantes das mais diversas forças econômicas e sociais do país), responsáveis por definir o rumo das políticas públicas, e os profissionais do setor público (taxados de burocratas), encarregados de sua implementação técnica, é uma característica intrínseca da administração pública. Com o aumento da atuação estatal em áreas mais complexas, como saúde, educação e mobilidade urbana, vemos a “burocratização da política” e a “politização da burocracia”, em que as esferas técnica e política se sobrepõem e estas disputas ganham camadas mais densas.

No entanto, a burocracia tradicional encontra desafios no mundo contemporâneo. Se já encontravam quando Kafka, de maneira brilhante, expunha em literatura suas críticas profundas, o que dirá agora, em um mundo marcado pela velocidade e pela hiper conectividade. As demandas da sociedade, que exigem respostas rápidas e flexíveis do poder público, muitas vezes entram em choque com o modelo hierárquico e rígido da burocracia weberiana. O excesso de informações e a necessidade de processar grandes volumes de dados, por exemplo, tornam a burocracia lenta e, em muitos casos, desatualizada diante das novas realidades tecnológicas.

O cenário contemporâneo exige novas formas de atuação. A descentralização do processo decisório possibilitaria maior autonomia aos gestores públicos, permitindo que problemas específicos sejam resolvidos de forma mais rápida e eficaz, sem a necessidade de intervenção constante das hierarquias superiores, favorecendo a impessoalidade da política implementada.

Laboratórios de Inovação: Um Caminho Promissor

A criação de laboratórios de inovação dentro do setor público tem se mostrado uma ferramenta poderosa para testar e ajustar políticas e processos em menor escala antes de sua implementação em larga escala. No Brasil, desde 2010, já existem iniciativas de laboratórios de inovação do setor público, como os pioneiros nas universidades federais do Espírito Santo e da UNB. Esses espaços oferecem maior flexibilidade, são mais tolerantes ao fracasso e permitem a experimentação de soluções para os desafios enfrentados pela administração pública.

Além disso, a coprodução de políticas públicas com redes colaborativas, envolvendo a sociedade civil na formulação e implementação de decisões, é uma estratégia defendida pela teoria da complexidade. Plataformas e fóruns participativos, que promovem a colaboração em tempo real entre governo e cidadãos, tornam-se essenciais para a construção de políticas mais inclusivas e adaptáveis às necessidades sociais.

Apesar das vantagens dos laboratórios de inovação, é importante reconhecer que esses espaços também são locais de disputa política. Assim como em qualquer âmbito público, correm o risco de serem direcionados para interesses privados ou de grupos específicos, desviando-se de sua função original de servir à coletividade. Portanto, é fundamental que essas estruturas garantam ampla participação do povo e que se construam com base em uma cultura de inovação que valorize o conhecimento popular e a criatividade coletiva. A inovação, ao contrário do que muitos pensam, não é restrita aos círculos acadêmicos; ela emerge das multidões e do cotidiano, seja nas relações sociais, seja nas tecnologias que desenvolvemos em nosso dia a dia. Toda grande descoberta ou invenção humana é uma construção coletiva.

O Futuro da Administração Pública

Integrar os modelos burocráticos tradicionais com novas abordagens tecnológicas e participativas requer uma transformação cultural dentro da máquina pública. A hierarquia rígida e a centralização das decisões precisam dar lugar a estruturas mais flexíveis e abertas à inovação. Ferramentas tecnológicas podem ser catalisadoras dessas mudanças, proporcionando um Estado mais ágil e alinhado às necessidades de um mundo cada vez mais rápido e interconectado.

Concluindo, a burocracia, com todas as suas falhas e virtudes, continua sendo um pilar fundamental na estrutura do Estado moderno. No entanto, sua evolução é necessária para que possa acompanhar a complexidade do mundo contemporâneo. Os laboratórios de inovação e a coprodução de políticas públicas com redes colaborativas populares mostram-se como caminhos promissores para essa transformação, permitindo uma administração pública mais eficaz, inclusiva, inovadora e socialmente referenciada.

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