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Último Trem para Central

autoria própria caneta e hidrocor – Central do Brasil

No cair da noite, o último trem partia, sentido Deodoro – Central do Brasil. Wesley, um jovem morador de Sulacap, corria desesperado pela plataforma. Em sua mente, ecoava a última discussão com seu pai: “Você nunca vai ser nada se continuar com essas coisas de poesia.” Coração triste, seu pai, mecânico morador na Avenida Maquinista José Santana, não compreendia por que seu filho matava as aulas do SENAI para passar o dia lendo Ondjaki.

Ao embarcar, Wesley percebeu uma figura no fundo do vagão. Parecia familiar, porém não conseguia discernir muito bem de onde a conhecia. Seu vagão estava praticamente vazio. No banco à frente, um pixo feito a caneta pilot: “Você encontrará seu destino no último trem.”

A noite escura lá fora parecia engolir a cidade. Wesley muda de vagão e avista outro pixo: “Hoje, você decide seu futuro.” Com uma mistura de medo e determinação, sussurra para si: “Eu quero ser livre.” Naquela noite, ele desceu na Central com o coração leve, pronto para começar uma nova vida. Caminhava pela plataforma no sentido da saída.

“Passa o celular, anda, passa!”

Um tiro seco e solitário ecoa na estação. “Tá lá o corpo estendido no chão, em vez de rosto uma foto de um gol.” Estava livre.

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