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Rizomas Suburbanos

RESUMO 
RIBEIRO,  Rodrigo  Cunha  Bertamé.  Rizomas  Suburbanos:  Possíveis  ressignificações  do  topônimo Subúrbio  Carioca  através  dos  afetos.  Rio  de  Janeiro.  2016.  211p.  Dissertação  de  Mestrado  –  Programa  de Pós-Graduação  em  Urbanismo,  Universidade  Federal  do  Rio  de  Janeiro.   
O  presente  trabalho  de  pesquisa  versa  sobre  o  topônimo  Subúrbio  Carioca,  e  sua potência  de  afetar  e  ser  afetado  na  cidade  do  Rio  de  Janeiro.  A  partir  da  postura  de  que  a cidade  é  um  campo  de  vivências  em  disputa,  nos  posicionamos  a  investigar  o  caminhar  do topônimo  Subúrbio  na  cidade,  explorando-o  através  de  um  campo  de  produção  espacial  e  de subjetividades.  Nos  utilizando  da  postura  cartográfica,  investigamos  processos, agenciamentos  e  significações.  Assim,  a  pesquisa  seguiu  em  duas  linhas  táticas:  recolheu dados  relativos  ao  uso  e  significações  do  topônimo  Subúrbio  em  diversas  fontes,  entre  elas, legislações,  projetos  e  planejamentos,  ações  do  investimento  imobiliário,  além  de  imprensa, TV,  música,  onde  pudemos  comprovar  que  o  topônimo  está  em  um  constante  processo  de ressignificação  e  uso  conforme  os  múltiplos  interesses  na  cidade.  Por  este  levantamento, pudemos  questionar  as  tentativas  de  representação  dos  Subúrbios Cariocas  e  nos  abrir  a  um olhar  polifônico.  Quanto  a  este,  foi  empregado  um  conjunto  de  entrevistas  qualitativas  e visitas  a  campo,  onde  pudemos  acompanhar  como  as  pessoas  na  cidade  se  apropriam  e afetam  o  topônimo  Subúrbio.  Assim,  consideramos  que  nos  dias  de  hoje,  embora  o  topônimo não  compreenda  mais  seu  sentido  original,  ele  está  sendo  ressignificado,  sobrevive  na  cidade enquanto uma  enunciação coletiva.   Palavras-chave: Subúrbio Carioca;  cultura;  cartografia; urbanidade. 
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Direito a moradia e cidadania

Alguém deveria lembrar ao governador de São Paulo, Márcio França, que direito a moradia DIGNA (isso não se soluciona com casinha no meio do nada como o MCMV tentou nos últimos longos anos) é um direito constitucional. Justamente por este motivo, a moradia digna a TODOS é algo a ser observado pelo estado.
Poderia esperar de um amigo leigo numa conversa de praça, de um taxista embebido na cultura tradicional, ou até de um jornalista que tem que dizer a pauta de grandes emissoras que se portam como querem sem aferir minimamente a lógica constitucional que deveria a priori ser respeitada. Mas de um governador não! Um governador não deveria reduzir a tragédia humana dos que não tem habitação no seu Estado a sentenças como: “Devemos convencer as pessoas a não morar desses jeito” se o Estado em que governa não garante outro jeito DIGNO. O problema de um morador de São Paulo, seja ele o Silvio Santos ou o anonimo da cracolândia, é antes de mais nada um problema de São Paulo, pois afeta a todos — Seja o Silvio Santos querer obstruir com um empreendimento a paisagem do projeto da Lina Bo Bardi, seja o anônimo morador da cracolândia ali largado pelos cantos.
Mas voltando ao tema:
A imensa maioria das pessoas não são Sem Teto porque querem, imigrantes pobres não são sem teto por que querem, o são porque em geral a fortuna do sistema não sorriu pra eles minimamente. Morar sem teto não é uma escolha do tipo: Vou para aquela ocupação morar com minha família ou compro uma casa nos Jardins? Não é esta a regra de vida que estas pessoas tem.
Ao mesmo tempo, todas as edificações hoje ocupadas estiveram lá por anos a fio a espera do nada, sem cumprir um item básico de qualidade urbana da cidade — A Função Social da Propriedade. Repare uma conta simples: Uma revitalização do centro degradado de SP estruturada e tendo como pilar a garantia do direito a moradia DIGNA aos mais pobres produziria:
– qualidade a todos os que andam por São Paulo, pois significaria a revitalização do centro da cidade.
-Garantia de moradia aos mais pobres próximo a locais de maior estratégia de vida (lazer, emprego, educação).
– Garantia de uso destes elefantes brancos que são os imensos vazios urbanos que estas edificações se tornaram muito antes de estarem ocupadas. Incluindo neste a garantia de uso das infraestruturas urbanas ali instaladas.
Claro que para isso, precisaríamos consolidar instrumentos importantes de técnica, como por exemplo:
Uma rede de arquitetos e urbanistas que garantam a assistência técnica necessária a famílias que não podem pagar por esta. Garantindo assim o direito a arquitetura e a cidade com mais qualidade acessível a toda a população e não apenas aos que podem pagar.
Um corpo multidisciplinar de planejadores urbanos que não desenhem a cidade, ou melhor as regiões metropolitanas visando apensar os interesses econômicos de alguns privilegiados que vivem da especulação de terras e imobiliária. Entre outros.
Mas esta é uma função que caberia, a meu ver, ao governador eleito e ao prefeito eleito. Eles tem ferramentas a sua mão para isso. O Brasil não precisa mais daquele raciocínio que imperou até as décadas de 70 de criminalização da pobreza e da miséria, e o aguardo de que as tragédias ocorram para os seus governantes virem a público falar que era uma tragédia anunciada. Já se tem instrumentos de sobra e experiencias concretas pelo mundo do que dá e não dá certo de resolver nestes casos. Um primeiro passo do governador poderia ser: sentar com diversos movimentos de ocupação, pesquisadores sobre a cidade e metrópole, outros interessados da sociedade civil e abrir um diálogo constante sobre a cidade, as metrópoles e os caminhos para o futuro das sociedades urbanas.
Estes processos são simples?
Não, não são, porém são muito mais corretos que transformar a pobreza humana em um crime social, e culpar o pobre por morar em “condições não dignas” de moradia, enquanto os governos não usam os instrumentos LEGAIS para garantir a função social das propriedades abandonadas no Centro de SP.
Este processo é mais correto do que um governador considerar que já estava diante de uma tragédia anunciada e esperou esta tragédia acontecer para apresentar a opinião pública que a solução é convencer as pessoas que elas não podem estar ali.
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