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Reindustrializar o Brasil

Sobre o Plano de Ação da Neoindustrialização brasileira gostaria de comentar alguns pontos.

Primeiro, vejo com bons olhos o plano como uma alternativa de reaquecer o desenvolvimento nacional neste campo que segue esquecido. O programa vislumbra um sistema de reorganização nacional. Considero cedo para um grande ufanismo, mas considero uma boa caminhada para a saída da recessão e abertura de uma cadeia produtiva de trabalho que se mostra hiper necessária.

Sinto que, no Brasil real (e não no legal) as três primeiras missões estão o coração onde o governo vai focar o olhar: cadeias agroindustriais, complexo econômico industrial de saúde e infraestrutura voltada para integração produtiva. As outras seis missões pode ser que na prática caminhe meio a reboque.

No que compete a gente, pensar estrategicamente os clusters e cadeias industriais desse país pode movimentar todo o sistema. Historicamente a implementação de qualquer pólo fabril traz consigo uma série de modificações estruturantes pra atender, coisas como habitação pra trabalhadores, mobilidade logística pra translado de produtos, entre outros muitos fatores.

Outro ponto que afeta diretamente o nosso campo profissional está no olhar da construção como indústria. Isso pode viabilizar uma nova organização do nosso setor que encontra nos sistemas BIM as ferramentas primordiais para operar o setor de obras por outra lógica empresarial, reduzindo-se os pequenos e médios escritórios que não conseguiriam suportar os custos de manutenção e criando-se corporações mais robustas que abraçarão via CNPJ estes médios e pequenos operários. Ok, é apenas um futurismo pensar assim, mas é um futuro viável de ser deduzido.

O estímulo do capital estrangeiro poderá ser um motor de giro desse plano, porém isso não parece significar um compromisso real com o resultado social. E aí vejo alguns grandes enfrentamentos que o governo precisará ter disposição de fazer:

  1. Transformar parte do resultado dos investimentos internacionais e projetos de desenvolvimento social para o país.
  2. Ter muito cuidado para que a Política Nacional de Exportação e facilitação de relações com o comércio exterior pese positivamente para o país
  3. Principal, cuidar para que a economia de mercado não faça um papel avassalador de retirada de todo e qualquer bem-produzido do país sem deixar benefícios para nós. Em especial o extrativismo territorial, degradação ambiental, entre outros.

Temos dificuldades de lidar com questões que envolvem investimento estrangeiro. Muito se dá por conta de a história deste país ter sido formada pela exploração estrangeira sobre seus recursos básicos e povo. Porém cabe a nós tentarmos tomar as rédeas de nossas diretrizes nas mãos.

Resumindo, como todo bom Plano, o que mostrará o sucesso é a capacidade de ser aplicado. A nós, neste momento, creio que neste momento cabe identificar as interfaces potentes e as possíveis lutas que serão necessárias de traçar.

Mais importante que ler minha opinião porém é, ler o documento final que se encontra neste link.

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