Vamos garantir o isolamento em todas as cidades, pois ele funciona

Vamos garantir o isolamento em todas as cidades, pois ele funciona.
Primeiro, vale sacar o que é a curva exponencial:
(este exemplo não é a curva do brasil da foto)
Se a cada uma hora 1 elemento virar 2, teremos com dois elementos:
hora 1 = 2-4
hora 2 = 4-8
hora 3 = 8-16
hora 4 = 16-32 – 4 horas depois temos mais de 30.
hora 5 =32- 64
hora 6 =64-128
hora 7 =128-256 – + 3 horas depois temos mais de 250.
hora 8 =256-512
hora 9 =512-1024 – +2 horas depois passa dos 1000.
hora 10 =1024-2048
hora 11 =2048 – 4096
hora 12 =4096 – 8192
hora 13 =8192-16384 – +4 hs depois passa dos 15 mil.
hora 14 =16384- 32768
hora 15 =32768 – 65536
hora 16 =65536 – 131072 +3hs depois passa dos 100 mil.
hora 17 =131072 – 262144
hora 18 =262144 – 524288 +2hs depois passa dos 500mil.
hora 19 =524288 – 1048576 +1h depois passa dos 1 milhão.
hora 20 =1048576 – 2097152
hora 21 =2097152 – 4194304
hora 22 =4194304 – 8388608
hora 23 =8388608 – 16777216
hora 24 =16777216 – 33554432 +5h depois passa dos 30 milhões.
No fim de um dia 2 elementos virarão 33.554.432. trinta e três milhões quinhentos e cinquenta e quatro mil quatrocentos e trinta e dois elementos. Esse é um exemplo de como funciona o crescimento exponencial. É por isso que num dado momento onde você é um em um milhão os casos afetados são só números e em outro momento eles viram um vizinho, um conhecido, um familiar…
No gráfico abaixo estão os casos reais destas dobras no Brasil. É possível perceber com clareza como o intervalo entre a dobra da quantidade de infectados ficou mais espaçado, a partir principalmente do tempo de isolamento social. Se antes a dobra tinha começado a subir de dois em dois dias, a partir do isolamento começou a ocorrer entre quatro e cinco dias de diferença.
Esse espaçamento é o que está segurando o Brasil de virar um caos completo e é ele que precisamos garantir e ampliar.

Não é porque a curva aumentou que as políticas de isolamento devam ser amenizadas ou afrouxadas, e não é porque tá na cabeça do povo que a doença \”não pegou no Brasil\” que a gente deva afrouxar.
O Brasil já está com bastante casos. Já vemos nas cidades maiores os números virarem nomes de conhecidos e familiares. Quanto mais a gente segurar o isolamento maiores as garantias de passarmos pela crise com menos impactos dos mais diversos.
Enquanto o presidente está igual um vendedor de cruz da natividade vendendo sua cloroquina de nióbio, algumas cidades estão trazendo boas práticas como Niterói por exemplo. E este parágrafo não é pra fazer politicagem – Nesta hora devemos sinceramente cagar pra brigas entre dorianos, maianos, bolsominios e lulominions e centrar no que importa. Primeiro porque ninguém desses ou outros vai se capitalizar politicamente e de forma personalista com isso (seria crachá de oportunismo estampado na testa), e segundo porque esses caras cagaram no pau da saúde coletiva e saneamento esse tempo praticamente todo, e talvez a única diferença é que o presidente é nazi e sua posição, diferente da dos demais que são seres humanos, é de que as pessoas podem morrer em massa (como auschwitz e holodomor) em nome dos seus comparsas da necropolítica.
Retomando:
O isolamento é fundamental pois nos dá tempo para enfrentar a crise que a pandemia nos colocou. Ele garantirá maiores sucessos.
Esse tempo é precioso para, por exemplo:
– construção de hospitais de campanha.
– levantamento de quem pode ser relocado em quarentena para locais mais salubres com os quartos de hotéis
– comprar e produzir mais testes
– produzir mascaras de proteção
– ensinar a usar (colocar e retirar as máscaras) se não num adianta nada.
– ensinar a descartar as mesmas.
O discurso de afrouxar o isolamento em cidades médias é ruim. Primeiro porque em geral no Brasil, inúmeras destas cidades não tem hospital capaz de sustentar casos de covid (mesmo que poucos casos), segundo porque cria a falsa impressão de que podemos afrouxar todos as cidades, afinal o que é exatamente afrouxar um caso.
Bérgamo na Itália, tinha 120 mil habitantes, um número próximo de São Pedro da Aldeia no Rio de Janeiro e a cidade não conseguiu cremar seus mortos. É importante mostrar estes parâmetros, e mandar a real, sem teste em massa dificilmente isso será afrouxado.
Isso são só exemplos rápidos de um pouco do que precisamos neste momento. Para garantir passarmos com menos danos possíveis, precisamos de tempo e para ganhar tempo precisamos manter o isolamento como boa prática sanitária para não vermos o caos reinar no país.
Vale perceber que o isolamento físico não significa o isolamento social. Juntem-se em redes, formem elos, construam pontes de comunicação e solidariedade, nestas horas as vezes uma mensagem de bom dia para um morador de um local vulnerável já ajuda muito. Fortaleçam os laços horizontais da sociedade, unindo todas as pontas da saúde, da coletividade e da vida.

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