Um pouco o que podemos construir para fugir de caminhos higienistas


O Brasil pós pandemia pode encontrar parte de sua saída econômica pela construção civil, isso é um padrão razoavelmente comum no país.

A construção civil brasileira é capaz de absorver uma diversidade de mãos de obra através de seus canteiros. E sobre isso me faz pensar ao menos em duas questões (que são meio corporativas e meio reformistas entendo, mas são questões a se pensar rs).

QUESTÃO 1 – OBRAS – 1 DE 1000 OU 1000 DE 1

Muitas experiencias mostram que movimentos como este geram mega obras, pois estas a gente consegue repactuar grandes empreiteiros, massa trabalhadora, movimenta vários nichos da economia e da gleba. É um modelo comum de construção de cidades e territórios diversos. Porém penso em outro protótipo, não é uma ideia nova e não é uma ideia que nasce do zero.

Por exemplo observei em um atelie da FAU-UFRJ com a professora Paula Albernaz e Diego Portas (creio que podem mostrar melhor) este raciocínio em que ao invés de investirmos 1000 em um único empreendimento, podemos pensar em mil empreendimentos de custo um.

Tal ação pode produzir coisas bem interessantes, mil canteiros espalhados, mil arquitetos diferentes atuando sobre estes canteiros em verbas que podem ser pulverizadas pela cidade girando os circuitos de economia local.

Este padrão pode funcionar bem para ATHIS, mas pode extrapolar este campo e capilarizar por todas as cidades. Um exemplo de sucesso em torno disso se dá com os coletivos de arborização de bairros como Vista Alegre + Verde ou o Plantar Paquetá

QUESTÃO 2 – RETOMADA DO ARQUITETO DE CANTEIRO e A ARQUITETURA POSSÍVEL

O fomento a obras de pequeno e médio porte também passam pelo fomento do trabalho do arquiteto atuante no canteiro, atuando em todas as fases da obra. Para a maioria das pessoas o projeto sem a obra construída é um problema, o brasileiro tem a cultura da construção e podemos fomentá-la e potencializá-la sendo parte destes processos.

Um exemplo interessante vem de outra instituição, a arquitetura da unisuam que conheci com os professores Gustavo Jucá Andrea Souza Cruz e Núbia Nemezio onde o incentivo vem do entendimento da intervenção no território de forma menos excludente e com um conjunto de projetos, soluções, estética e linguagem arquitetônicas que caibam em um mundo possível. A arquitetura não se prenda só no seu status de elemento de exclusividade. É totalmente diferente para um estudante projetar seu hotel em um hipotético endereço na Barra da Tijuca ou projetar seu hotel em um hipotético endereço dentro do Mandela (em Manguinhos).

Em ambas as situações (questão 1 e 2) poderíamos criar bancos solidários, linhas de fomento, editais, linhas de crédito e mil caminhos (que no Brasil parecem mais abertos a grandes empreiteiros) de forma a favorecer e fomentar os pequenos e médios empreiteiros e arquitetos construtores.

SOBRE GRANDES OBRAS.

É possível que tenhamos força política para pautar um dos principais buracos desvelados nesta crise, a questão sanitária. Para tal, os arquitetos precisam primeiro se ocupar de parte desta pauta, e entender como funcionará nosso encontro com os agentes de saúde coletiva e de sanitarismo

Creio ser difícil colocar o saneamento na proposta dos 1000 DE 1, pela condição estruturante e universal. Porém os arquitetos por sua vez poderiam se posicionar dentro de comissões e comités de bairro com a responsabilidade técnica de averiguar e auxiliar na consolidação das redes, seja por projeto, acompanhando obra, articulação política ou simplesmente denúncias.de forma que participemos tanto da construção coletiva dos planos até a execução dos mesmos, entendendo que pelo caráter estruturante estes tem que ser pensados enquanto um programa político mais amplo, porém necessário.

Para todas as propostas poderíamos criar um observatório dos bairros. instancias de gestão entre o poder público e a sociedade civil que mantivesse continuamente monitorado as relações comuns mais necessárias ao bem estar urbano como arborização, áreas livres, etc.

Em todos estes passos retomar a cultura da presença efetiva do arquiteto no canteiro de obras é um elemento fundamental, e com isso retomar o sentido de arquitetura ser obra construída.

O mais legal é que as experiencias que citei de leve aqui fui aprender com estes professores depois de burro velho e formado, em meio a dias de visita nas instituições, A gente sempre aprende algo e as universidades nunca param de produzir conhecimento.

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